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Lín­gua não é osso …

Escrito por Abdon Mar­inho


LÍNGUA NÃO É OSSO

Abdon C. Marinho.

IBN AL-​MUKAFA (que sig­nifica Ibn filho de Mukafa, que, por sua vez rece­beu o nome de Mukafa, por ter sido tor­tu­rado pelo gov­er­nador a quem servia como cole­tor de impos­tos que sus­peitara de sua hon­esti­dade), nascido no ano de 724, na Pér­sia, era homem de rara cul­tura, escreveu ou cole­cio­nou histórias, segundo ele, vin­das de cul­turas bem mais anti­gas e dis­tantes no livro inti­t­u­lado Calila e Dimna.

Em uma frase mar­cante, ainda na apre­sen­tação do livro diz: “o machado corta a árvore, e esta volta a nascer e crescer; a espada corta a carne e que­bra o osso, e a ferida sara e o osso solda – mas feri­das que a lín­gua abre nunca se cica­trizam”.

Gan­hei o livro de pre­sente lá no ini­cio dos anos noventa e desde então nunca mais dele me afastei, exceto pelos perío­dos em que esteve emprestado ou que alguém o pediu emprestado e não devolveu forçando-​me a com­prar outro.

Refle­tia outro dia sobre o mile­nar ensi­na­mento tran­scrito acima e pen­sava na situ­ação do pres­i­dente do Brasil e can­didato à reeleição.

Pois bem, a lem­brança e cor­re­lação que fiz entre o tal político e os ensi­na­men­tos do livro de Ibn Al-​Mukafa foi que, se não tivesse quais­quer out­ras razões para não sufragá-​lo nas urnas, uma razão, à vista de todos, um imped­i­mento moral e ético me impediria de fazê-​lo: o seu com­por­ta­mento durante a pan­demia, a falta de con­sid­er­ação, respeito, empa­tia, sol­i­dariedade àque­les que per­diam seus pais, avós, tios, fil­hos, ami­gos.

Como ele próprio con­fes­sou, em data recente, suas “alo­pradas”.

Um pres­i­dente da República não pode, não deve e não tem o dire­ito de “alo­prar” durante o momento mais grave vivido por seus con­ci­dadãos.

Mesmo quando não se pode fazer nada, sobra o dever de ser solidário.

Foi o que não tive­mos.

Já se foram quase 700 mil vidas per­di­das sem que hou­vesse um gesto sin­cero de sol­i­dariedade de sua excelên­cia para com às víti­mas e/​ou seus famil­iares e ami­gos.

Perdi diver­sas pes­soas que me foram caras em vida e de quem a lem­brança me enche de saudade.

Entre tan­tos, uma das primeiras pes­soas que perdi foi a pro­fes­sora Nancy, de Mara­caçumé. Con­heci Nancy em uma das cam­pan­has de Cafeteira – já não lem­bro se na de 1994 ou na 1998 ou no inter­valo de ambas –, ela era vereadora na época, aju­dava dezenas de pes­soas e tinha uma respon­s­abil­i­dade espe­cial com a for­mação de seus famil­iares, irmãs, sobrin­hos, etc.

Durante anos, sem­pre que descia para região do alto Turi encostava em sua casa.

Nos últi­mos anos os afaz­eres de ambos nos afas­tou, mas sem­pre que pas­sava por Mara­caçumé e par­ava para o tradi­cional cafez­inho na D. Cláu­dia, per­gun­tava por ela e deix­ava recado.

Em fevereiro de 2020, na última viagem antes da pan­demia, con­seguimos nos reen­con­trar e tro­car umas ideias.

Aí veio a pan­demia, cerca de um mês – ou pouco mais que isso –, me alcança uma lig­ação do tele­fone de Nancy. Atendi: — oi, Nancy. Do outro lado linha respon­dem: — oi, doutor, não é Nancy, ela foi trans­ferida com urgên­cia para São Luís.

Acho que era uma sexta-​feira. No domingo, uma outra lig­ação: — doutor, Nancy não se encon­tra mais entre nós.

Uma morte que além da perda, trouxe con­se­quên­cias para diver­sas out­ras pes­soas.

Se não me falha a memória, a morte de Nancy deu-​se entre as seguintes colo­cações de sua excelên­cia: “brasileiro pula em esgoto e não acon­tece nada” , 26 de março e “eu não sou cov­eiro”, de 20 de abril.

Depois de Nancy foi a vez de outro grande amigo, Adal­berto Nasci­mento, ex-​prefeito de Belágua, com que tive a honra e ale­gria de tra­bal­har durante quase dois mandatos inteiros.

Adal­berto era uma pes­soa extra­ordinária com quem dava gosto con­ver­sar. Sem­pre que tinha opor­tu­nidade, já depois do seu mandato, o con­vi­dava para tomar um cafez­inho no escritório.

No iní­cio de junho um dos seus fil­hos me avi­sou que ele fora inter­nado, acho que menos de uma sem­ana depois recebi outra lig­ação, essa avisando que ele não resi­s­tira.

O iso­la­mento não per­mi­tiu que sequer pudésse­mos nos des­pedir dele. O cortejo com caixão fechado cir­cu­lou pelas ruas da cidade.

O amigo Adal­berto perdeu a vida entre duas frases de sua excelên­cia: “a gente lamenta todos os mor­tos, mas é o des­tino de todo mundo”, de 2 de junho; e, “é como uma chuva, vai atin­gir você”, de 7 de julho, quando o número de víti­mas já atin­gia 66.741 mortes.

Adal­berto tinha ape­nas 60 anos quando foi “atingido pela chuva”, deixou oito fil­hos entrando na vida adulta.

O fim do ano trouxe-​me mais um desalento.

Um amigo de infân­cia, com quem brin­cava, com quem ia para escola quase todos dias, Gec­i­mon Pereira, pegou COVID-​19 e não resis­tiu. Tinha prati­ca­mente a minha idade, uma vida inteira pela frente, fil­hos e netos com quem par­til­haria muitas coisas boas.

Perdi essa amizade de uma vida inteira entre duas frases de sua excelên­cia: “país de mar­i­cas”, dita em 10 de novem­bro; e “se tomar vacina e virar jacaré não tenho nada com isso”, dita em 17 de dezem­bro, aquela altura o país já con­tava com 184.827 mortes pela pan­demia.

Em junho de 2021 per­dia outro grande amigo, José Raimundo Fer­reira Verde, o nosso Verde, cuja a história se con­fun­dia com a história recente da Assem­bleia Leg­isla­tiva do Maran­hão. O con­hecia desde que fui tra­bal­har naquela Casa, no iní­cio de 1991. Desde então, até o seu perec­i­mento, man­tive­mos uma firme amizade.

Verde teve um ataque cardíaco ful­mi­nante em decor­rên­cia da COVID-​19.

No mês de sua morte, sua excelên­cia nos brindou com as seguintes frases de “con­forto”: nunca vi ninguém mor­rer por tomar hidrox­i­cloro­quina”, o medica­mento que que­ria porque que­ria fazer fun­cionar con­tra o vírus; e “quem pegou o vírus está imu­nizado”.

Por este período – ou pouco antes –, quase perdemos um dos meus irmãos, o que vem logo antes de mim, Fran­cisco.

Não fosse a pro­teção de São Fran­cisco e o severo mon­i­tora­mento feito por um sobrinho e um irmão, talvez não estivesse aqui para con­tar a história.

Quando vimos as taxas de oxigênio baixar e o pul­mão se com­pro­m­e­ter, fui avisado: — tio, temos que levar o tio urgente para São Luís. Assim foi feito.

No tra­jeto de Gonçalves Dias pra cá, feito em alta veloci­dade, e, ainda assim con­sumiu umas três ou qua­tro “balas” de oxigênio até ser inter­nado em um hos­pi­tal da cap­i­tal. Durante todo o tempo meu sobrinho e meu irmão, que são médi­cos, rece­beram meu pedido para que não se afas­tassem dele por motivo algum.

Enquanto via sua excelên­cia fazer uma imi­tação grotesca de alguém mor­rendo pela falta de oxigênio, lembrei-​me do sofri­mento do meu irmão e a angús­tia que acome­teu a todos nós, seus irmãos, sobrin­hos e ami­gos, sem saber se ele sobre­vive­ria ou não.

Nancy, Adal­berto, Gec­i­mon, Verde e tan­tos out­ros que pere­ce­ram em uma conta que já chega a quase 700 mil vidas per­di­das para a pan­demia, não são ape­nas números.

Durante esse tempo todo sua excelên­cia não se dig­nou a expres­sar um único sen­ti­mento de empa­tia pelas víti­mas ou pela dor dos seus famil­iares e ami­gos.

Nunca foi capaz de encer­rar um pas­seio de fim de sem­ana para hipote­car sol­i­dariedade.

Fez, ao con­trário, foi debochar, cam­panha con­tra a vaci­nação – com grave reflexo, inclu­sive, nas cam­pan­has de vaci­nação reg­u­lar –, “torcer con­tra o sucesso” de deter­mi­nado imu­nizante, por sen­ti­mento poli­tiqueiro e mesquinho.

Ainda que, difer­ente do que apon­tam diver­sos estu­dos cien­tí­fi­cos, seu com­por­ta­mento não tenha sido cau­sador de nen­huma morte, ape­nas o deboche, o menosprezo, a falta de sol­i­dariedade, já seriam sufi­cientes para votar con­tra sua pre­ten­são de con­tin­uar dirigindo o país.

Com todo respeito que tenho pelos que pen­sam difer­ente, o sol­i­dariedade aos que pere­ce­ram, reforça, o imper­a­tivo ético para que faça isso.

Agora mesmo vejo sua excelên­cia, com olhar com­pungido, em com­er­ci­ais de cam­panha “pedir perdão” por seu com­por­ta­mento, cuja definição mais branda seria abjeto.

A minha fé impo­ria a obri­gação de per­doar, entre­tanto, para que haja o perdão é necessário que o arrependi­mento seja ver­dadeiro, e não é isso que vemos.

Os que con­hecem a Palavra mel­hor do que eu, sabem que o próprio Jesus Cristo disse: “vás e não peques mais”.

Se, enquanto pede perdão, o pecador con­tinua a incor­rer nos mes­mos peca­dos, não merece o perdão.

Foi o que vimos no tris­te­mente famoso episó­dio do “pin­tou um clima”.

A frase de sua excelên­cia foi: “Parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menin­in­has, três, qua­tro, boni­tas; de 14, 15 anos, arru­mad­in­has num sábado numa comu­nidade. E vi que eram meio pare­ci­das. Pin­tou um clima, voltei. “Posso entrar na tua casa?» Entrei. Tinha umas 15, 20 meni­nas, num sábado de manhã, se arru­mando —todas venezue­lanas. E eu per­gunto: Meni­nas bonit­in­has, 14, 15 anos se arru­mando num sábado para quê? Gan­har a vida. Você quer isso para a tua filha, que está nos ouvindo aqui agora. E como chegou neste ponto? Escol­has erradas».

Não bas­tasse a gravi­dade incon­ce­bível de um quase sep­tu­a­genário dizer que “pin­tou um clima” referindo-​se a uma ado­les­cente de 14 ou 15 anos, o episó­dio que ten­tou explo­rar é uma men­tira grotesca.

As garo­tas que viu arru­madas, e por quem “pin­tou um clima”, não estavam se pros­ti­tuindo, como disse; a casa onde entrou, não era uma casa de pros­ti­tu­ição e, sim, uma ação social de acol­hi­mento.

O desejo de fazer explo­ração política ao invés de agir como um chefe de nação respon­sável ou mesmo um pai de família, o fez descam­bar, mais uma vez, para a agressão aque­les a quem dev­e­ria e teria o dever de acol­her.

Tudo que vive­mos nos últi­mos anos e mesmo episó­dios recentes, não podem ser nor­mal­iza­dos.

Não, não tem perdão.

Um ditado do meu inte­rior diz: “lín­gua não é osso mas que­bra caroço”.

Abdon C. Mar­inho é advo­gado.

O MARAN­HÃO EM MOMENTO ÚNICO.

Escrito por Abdon Mar­inho


O MARAN­HÃO EM MOMENTO ÚNICO.

Por Abdon C. Marinho.

ENQUANTO lia, com desu­sado inter­esse, a col­una do ex-​governador José Reinaldo Tavares, no Jor­nal Pequeno, da última terça-​feira, 11 de out­ubro, onde tratava sobre as poten­cial­i­dades do nordeste e, prin­ci­pal­mente, do Maran­hão, na ger­ação de com­bustíveis sus­ten­táveis, notada­mente na pro­dução de hidrogênio verde, o com­bustível do futuro, pen­sava no extra­ordinário momento que passa e sobre o futuro que aguarda o nosso estado.

A col­una do ex-​governador nos informa que o atual gov­er­nador, Car­los Brandão, que par­ticipou da reunião com cien­tis­tas e rep­re­sen­tantes de out­ros esta­dos nordes­ti­nos ficou encan­tado com as per­spec­ti­vas que se abrem para o estado nesse setor.

Ante­ri­or­mente, um dia após a reeleição, em primeiro turno, o gov­er­nador declarou ao Jor­nal Nacional, que um dos focos para o mandato a iniciar-​se em primeiro de janeiro de 2023 é o inves­ti­mento em edu­cação.

Trata-​se de uma notí­cia aus­pi­ciosa. É um imper­a­tivo para qual­quer êxito da sua gestão, uma vez que a despeito de tudo que já foi feito até aqui – e é dever recon­hecer que se investiu muito em edu­cação nos últi­mos anos –, o Maran­hão con­tinua na “rabeira” da fila dos indi­cadores que medem con­hec­i­mento.

O estado, para poder aproveitar as grandes opor­tu­nidades que se apre­sen­tam para o futuro pre­cis­ará de uma edu­cação vig­orosa que pre­pare os maran­henses para ocu­par os empre­gos que sur­girão em um futuro próximo.

Con­forme tratare­mos em um texto especí­fico, edu­cação é inves­ti­mento de longo prazo e que os insuces­sos pre­sentes não são motivos para desistên­cia, mas estí­mu­los às novas abor­da­gens e tec­nolo­gias edu­ca­cionais. Mas, como dito, este é um assunto para tratar­mos em separado.

Além do poten­cial do estado para a pro­dução do hidrogênio verde – chamado assim por ser pro­duzido a par­tir da eletrólise da água através de ener­gia limpa –, uma vez que ainda pos­sui água em abundân­cia e tem extra­ordinário poten­cial para a pro­dução de ener­gia éolica e solar, temos ainda, o pro­jeto da con­strução do Ter­mi­nal Por­tuário de Alcân­tara — TPA, que servirá de escoad­ouro da pro­dução vinda através de fer­rovia e rodovia das regiões pro­du­toras de grãos do sul do estado e da região cen­tro oeste do país; a explo­ração com­er­cial do Cen­tro de Lança­mento de Alcân­tara.

Do outro lado da baía de São Mar­cos, se impõe a neces­si­dade de ampli­ação do Ter­mi­nal Por­tuário do Itaqui para que receba a pro­dução vinda de out­ras regiões do país, através da fer­rovia do nordeste.

Um outro pro­jeto que não podemos perder de vista – ou deixar se perder –, é o que cria a Zona de Expor­tação do Maran­hão – ZEMA, con­forme dito em alguns tex­tos ante­ri­ores este, é um pro­jeto que tem tudo para tirar o estado do atraso estru­tural em que foi colo­cado ao longo das décadas.

É per­feita­mente pos­sível imag­i­n­ar­mos o Maran­hão como um grande entre­posto com­er­cial mundial, com cen­te­nas de navios car­gueiros dos dois lados da Baía de São Mar­cos trazendo e levando riquezas que serão usufruí­das pelos maran­henses e por todos os brasileiros.

Por que não? Hong Kong con­seguiu, Sin­ga­pura con­seguiu, tan­tos out­ros con­seguiram.

Por que não con­seguiríamos tam­bém com tan­tas condições favoráveis?

Não menos impor­tante é a ban­cada do estado se mobi­lizar para tirar do papel a rodovia transli­torânea, a BR 308, lig­ando por terra, pelo litoral norte, a cap­i­tal do Maran­hão a Belém, cap­i­tal do Pará, aca­bando com a ideia de que aqui é o “fim do mundo”.

Tal rodovia implica na solução de um outro prob­lema de mobil­i­dade: a dependên­cia única do sis­tema de ferry-​boat.

A nova rodovia impli­caria na con­strução de pontes lig­ando São Luís à baix­ada via Ilha dos Carangue­jos, Cajapió.

Chegando a tal municí­pio ter-​se-​ia duas alter­na­ti­vas: o acesso para o litoral norte por Bacu­rituba, São Bento, Peri-​Mirim e Bequimão – que já diminuiu muito a dis­tân­cia com a con­strução da ponte Bequimão/​Central do Maran­hão e o asfal­ta­mento da MA/​BR 308, no tre­cho –, e o acesso para os demais municí­pios da baix­ada via São João Batista, através do qual se chegará a São Vicente Fer­rer, Olinda Nova, Mat­inha, Viana, Penalva, Cajari, etc.

Uma outra forma de mel­ho­rar a mobil­i­dade no estado e colo­car­mos com­posições para o trans­porte de pas­sageiros, aprovei­tando a estrada de ferro São Luís/​Teresina, pelo menos de Bacabaira para cap­i­tal, mas podendo ter um per­curso ainda maior, quem sabe até Itapecuru-​Mirim.

A fer­rovia encontra-​se subu­ti­lizada enquanto a BR 135 exper­i­menta lon­gos tre­chos de “engar­rafa­men­tos”, sobre­tudo, nos horários de pico.

São proposições que somadas a tan­tas out­ras, têm o condão de desen­volver o estado como um todo, de norte a sul, de leste a oeste, rompendo, repito, com o ciclo de atraso estru­tural que sem­pre nos perseguiu.

O atual gov­erno acer­tou em cheio quando criou uma Sec­re­taria de Estado voltada para os pro­je­tos espe­ci­ais e mar­cou um gol de placa quando entre­gou ao ex-​governador José Reinaldo Tavares a mis­são de comandá-​la.

Con­forme venho dizendo há mais de uma década, o ex-​governador é, dos políti­cos vivos do Maran­hão, o que pos­sui maior con­hec­i­mento e visão de con­junto para desen­volver o estado.

Isso é facil­mente com­pro­vado com a leitura dos seus tex­tos pub­li­ca­dos às terças-​feiras no Jor­nal Pequeno.

Zé Reinaldo pos­sui, como poucos, uma visão geral do estado e, a despeito de já ter cruzado a fron­teira dos oitenta anos, pos­sui uma mente mar­avil­hosa­mente ante­nada com o futuro.

Essa é a razão de haver dito do título do texto que o Maran­hão se encon­tra em um momento único.

Temos diver­sas poten­cial­i­dades em plena ges­tação, um gov­er­nador que declara-​se com­pro­metido com a edu­cação e no comando da sec­re­taria de pro­je­tos espe­ci­ais uma pes­soa extrema­mente preparada e visionária sobre con­junto de medi­das que pre­cisamos empreen­der para o estado ocu­par seu ver­dadeiro lugar no cenário econômico nacional e mundial.

Claro que isso não acon­tece da noite para o dia; claro que pre­cis­are­mos con­tar com recur­sos, inves­ti­men­tos, ampli­ação da sec­re­taria de pro­je­tos espe­ci­ais com novos téc­ni­cos que tam­bém pos­suam uma visão geral do estado; claro que pre­cis­are­mos con­tar com o com­pro­me­ti­mento da classe política local e dos rep­re­sen­tantes do estado no Con­gresso Nacional.

São todas vari­antes que pre­cisam ser tra­bal­hadas pelo gov­erno que se insta­lará a par­tir de 2023. Faz-​se necessário que ten­hamos foco nas medi­das macro de desen­volvi­mento.

Como disse ante­ri­or­mente, vis­lum­bro que esta­mos no cam­inho certo.

O Maran­hão, dizia este que vos fala, há quase uma década, é, dos esta­dos da fed­er­ação, o que pos­sui maior poten­cial de desen­volvi­mento econômico, depen­dendo do que façamos tal desen­volvi­mento chegará para nós, nos­sos fil­hos, netos ou para as ger­ações futuras, mas estou certo que virá.

O Maran­hão encontra-​se con­de­nado ao desen­volvi­mento, se agora ou no futuro, depende de nós e do que fare­mos nos próx­i­mos meses.

Abdon C. Mar­inho é advo­gado.

Salve­mos Deus do inferno eleitoral.

Escrito por Abdon Mar­inho


SALVE­MOS DEUS DO INFERNO ELEITORAL.

Por Abdon C. Marinho.

— Por que me exper­i­men­tais, hipócritas? Mostrai-​me uma moeda de trib­uto. Trouxeram-​lhe um denário.

Ele per­gun­tou: — De quem é esta efígie e inscrição?

Respon­deram: — De César.

Então lhes disse Jesus: — Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

A frase acima, que, com alguma vari­ação con­sta de três evan­gel­hos (Mateus, Mar­cos e Lucas) – aqui usamos o de Mateus –, e narra a ten­ta­tiva de fariseus em ten­tar apan­har Jesus Cristo em alguma “falta” ou impor-​lhe a pecha de insur­gentes.

Narra o evan­gelho: “Então os fariseus se reti­raram e con­sul­taram como apan­hariam a Jesus em alguma palavra. Enviaram os seus dis­cípu­los, jun­ta­mente com os hero­di­anos, a per­gun­tar: Mestre, sabe­mos que és ver­dadeiro e que ensi­nas o cam­inho de Deus segundo a ver­dade, e não se te dá de ninguém, porque não te deixas levar de respeitos humanos; dize-​nos, pois, qual é o teu pare­cer; é líc­ito ou não pagar o trib­uto a César?”.

Mas Cristo percebendo a malí­cia os admoestou, chamando-​os de hipócritas e per­gun­tando porque o exper­i­men­tavam.

Em um outro episó­dio, de todos con­hecido, e nar­rado nos qua­tro evan­gel­hos canôni­cos do Novo Tes­ta­mento, Jesus viaja a Jerusalém para a Pás­coa e lá chegando encon­tra o Tem­plo tomado por cam­bis­tas e vendil­hões.

Neste episó­dio, o único que se tem notí­cia de Cristo usando a força física, Ele os expulsa, acusando-​os de tornar o local sagrado em uma cova de ladrões através de suas ativi­dades com­er­ci­ais.

No Evan­gelho de João, Jesus se ref­ere ao Tem­plo como “casa de meu Pai”.

Neste feri­ado ded­i­cado a Nossa Sen­hora da Con­ceição Apare­cida, enquanto revia tais nar­ra­ti­vas bíbli­cas, pus-​me a pen­sar em quan­tos fal­sos cristãos nos cer­cam e ten­tam per­verter os ensi­na­men­tos de Cristo Jesus para ten­tar col­her div­i­den­dos políti­cos eleitorais.

Políti­cos que, pela manhã estão na igreja católica, a tarde no tem­plo evangélico e à noite nos ter­reiros de alguma religião de matriz africana.

Não nos ilu­damos, estes não pos­suem qual­quer fé ou respeito pela fé alheia, ape­nas ten­tam, usando a fé dos out­ros tirar proveito mesquinho.

São os vendil­hões do tem­plo, que no princí­pio, o próprio Cristo, expul­sou da Casa do Pai.

Nova­mente, não nos ilu­damos, estes não são os piores, muito emb­ora anti-​Cristo, piores do que eles são aque­les que de den­tro do Tem­plo nego­ciam a fé dos seus irmãos e lid­er­a­dos. Para estes não haverá qual­quer salvação.

Ora, foi o próprio Jesus Cristo que sep­a­rou a igreja da política.

Ao dizer: “a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, o Deus-​vivo deix­ava claro que os assun­tos mun­danos (a política) não dev­e­riam cam­in­har jun­tos aos assun­tos da fé.

O que é de César é de César – o din­heiro, o poder, a política –, o que é de Deus é de Deus – a fé, a sal­vação da alma.

Imag­inem que Jesus Cristo, no único episó­dio que nos narra a Bíblia em que apelou a vio­lên­cia física, foi para expul­sar os vendil­hões do tem­plo. Daí percebe­mos a sua enorme con­trariedade com a uti­liza­ção da “Casa do seu Pai” para out­ros assun­tos que não fos­sem os assun­tos de Deus.

E o que assis­ti­mos hoje? Fal­sos cristãos entre­gando “as chaves dos tem­p­los” aos anti-​Cristo; os púl­pi­tos das igre­jas trans­for­ma­dos em palan­ques eleitorais; os fiéis e obreiros das igre­jas con­ver­tidos em cabos eleitorais, em busca de votos como os cole­tores de impos­tos de César inva­diam as casas das pes­soas em busca dos seus denários.

Não vejo os “bons cristãos” irem às casas levar a Palavra ou cuidar dos assun­tos de Deus. Estão indo, sim, bus­car os denários (votos), cuidando dos assun­tos de César (dos políticos).

Que sal­vação terá aquele que se prevalece da sua autori­dade reli­giosa para per­verter de tal maneira os ensi­na­men­tos de Cristo?

Que sal­vação terão aque­les que “venderam” os tem­p­los e os reban­hos de Deus como os cordeiros para o sacrifício?

Li ou vi em algum lugar que aos fiéis tem sido negado acesso aos tem­p­los por estes vestirem roupas em cores atribuí­das a esta ou aquela facção política.

Mas Cristo fez tal dis­tinção entre os fiéis? Cer­ta­mente que não. Na Casa do seu Pai sem­pre teve lugar e acol­hi­mento para todos os que bus­caram a sal­vação.

Imag­inem Cristo negando a cura ou a sal­vação a alguém por que este ves­tia um manto ver­melho, azul ou amarelo.

Não faz sen­tido. Não faz nen­hum sen­tido.

Então como podem se diz­erem cristãos se negam acesso aos tem­p­los aos fiéis pelas cores de seus tra­jes? Se uti­lizam os fiéis não para aumentarem o rebanho do Sen­hor ou salvar-​lhes as almas, mas para fun­cionarem como cole­tores de César?

Como podem usar fiéis como cole­tores de impos­tos de César? Como podem usar os tem­p­los em nego­ci­atas de cor­rupção? Como podem vender a Palavra e diz­erem que falam em nome de Deus?

Se desafiam a fé e os ensi­na­men­tos de Cristo, como podem dizer que falam em seu nome?

Na ver­dade são fal­sos pro­fe­tas, igno­rantes dos ensi­na­men­tos de Cristo e seguidores de fal­sos Mes­sias dos quais nos aler­tou a própria Bíblia.

Os ver­dadeiros cristãos pre­cisam ficar aten­tos aos que dizem falar em nome de Deus e aque­les que efe­ti­va­mente seguem o pro­fes­sam os ensi­na­men­tos de Cristo Jesus.

Aos ver­dadeiros cristãos não é dado o dire­ito de omis­são diante de taman­has blasfêmias.

E foi o próprio Jesus que nos aler­tou: — Pois muitos são chama­dos, mas poucos escolhidos.

No Dia todos serão chama­dos a prestarem con­tas dos seus atos.

Essa a certeza que nos ori­enta a nossa fé.

Até lá, salve­mos Deus do inferno eleitoral.

Abdon C. Mar­inho é advo­gado.