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O igarapé da minha aldeia encheu.

Escrito por Abdon Mar­inho

O IGARAPÉ DA MINHA ALDEIA ENCHEU.

Por Abdon C. Marinho.

MINHA amada irmã mais velha, Deiza, mandou-​me, no fim de sem­ana pas­sado, as ima­gens do igarapé da minha aldeia com­ple­ta­mente cheio, com as pes­soas admi­radas com o vol­ume de água.

As ima­gens man­dadas por ela ati­varam min­has lem­branças adorme­ci­das há anos.

Pedrin­has é o igarapé da minha infân­cia, dos meus primeiros anos no Cen­tro Novo. Cri­ado soz­inho, como Deus cria batatas na beira do rio, lem­bro que ia pra lá e pas­sava man­hãs ou tardes ou dias inteiro ban­hando nele. Quando mais cheio, usava uma bóia de pneu velho.

Desde sem­pre fez parte da minha história.

Conta a lenda que quando vim ao mundo, em um dia de domingo, minha mãe deu à luz soz­inha pois todos da casa estava para o igarapé, as mul­heres voltadas para lavar as roupas e os demais, homens, meni­nos usando suas águas para a diver­são. Quando a parteira chegou lá estava eu pronto para as batal­has que viriam – e não seriam pou­cas.

As lem­branças que tenho dos meus primeiros anos são de um igarapé perene, com boa água o ano todo, usadas para tudo: dar banho nos ani­mais, nós mes­mos ban­har­mos, lavar as roupas, pescar umas piabas, e tan­tas out­ras coisas.

As águas do Pedrin­has só não eram uti­lizadas para beber, para este fim, uti­lizá­va­mos as águas de um poço cacimba, escav­ado com capri­cho e revestido até o fundo com tábuas de madeira; uma gan­gorra feita por marceneiro ded­i­cado com­punha a estru­tura para a cap­tação da água uti­lizada para beber e coz­in­har.

Imag­ino que rece­beu esse nome dev­ido as pedrin­has que cobriam todo o seu leito, em taman­hos diver­sos e que pare­ciam ter sido pol­i­das à mão.

Uma con­versa de adul­tos entre­ou­vida punha a imag­i­nação em curso. Certa vez ouvi: — fulano foi preso e lev­ado a Pedrin­has. Pen­sava qual o prob­lema de ficar preso em Pedrin­has? Gosto tanto de lá. Na minha mente infan­til, a única refer­ên­cia que tinha de Pedrin­has era a do “meu igarapé” favorito.

O igarapé cor­ria pelas ter­ras de meu pai, ao pé da serra onde pas­sava os dias a pas­sar­in­har ou a procura dos nin­hos – não tenho lem­branças de sua nascente.

Cor­rendo às mar­gens da estrada por entre o capim, o Pedrin­has gan­hava corpo numa espé­cie de várzea que ficava abaixo de um cur­ral ao lado de casa. Era nesse local que o uti­lizá­va­mos para o lazer.

Com o pas­sar dos anos as águas foram escasse­ando, o igarapé deixou de ser perene – acred­ito que a esti­agem, o des­mata­mento, a ocu­pação, ten­ham “matado” suas nascentes –, ainda assim, no inverno, usá­va­mos suas águas para as brin­cadeiras.

Foi por esse tempo, fins dos anos setenta para oitenta, que para ter uma outra reserva de água para os ani­mais e para o uso domés­tico, que meu pai con­tra­tou umas horas de tra­tor e fez um açude grande que rece­bia parte das águas do Pedrin­has no inverno.

Com o Pedrin­has seco ou com pouquís­sima água mudamos as brin­cadeiras para o açude. Já eram meus últi­mos anos no Cen­tro Novo. Dali a pouco iria para sede do municí­pio, primeiro Gov­er­nador Archer, depois Gonçalves Dias e, por fim, para a cap­i­tal.

Quando morava em Gonçalves Dias, vez ou outra, pegava minha “monareta” e ia até o Cen­tro Novo atrás dos resquí­cios da minha infân­cia. Pas­sava pelo cemitério onde des­cansa minha mãe e tan­tos out­ros entes queri­dos, pas­sava pelo Pedrin­has – ou o que fora ele –, subia a ladeira, até alcançar, às mar­gens esquerda, o local onde ficava o nosso cur­ral e casa onde nasci. Ambos extin­tos. À dire­ita só o chão árido, batido do que fora a casa de tia Mal­fisia (a irmã mais velha do meu pai), a casa do Pingo e prima Ciça e, por fim a casa de Maria Bizunga.

A ladeira às mar­gens do Pedrin­has que aces­sava a casa do meu pai era muito alta. Por isso mesmo o igarapé se aco­mo­dava em uma espé­cie de remanso entre os mor­ros.

Era em tal ladeira que den­tro de “con­gas” de coqueiros usá­va­mos para escor­re­gar até lá em baixo. A estrada até o povoado era “car­roçal”, quando, uma vez na vida outra na morte, pas­sava algum carro, era novi­dade para um mês inteiro.

Seguia na minha monareta, pas­sando pela antiga casa de Batista, pelo ter­reno que fora o sítio do meu avô (que não cheguei a con­hecer) – atrás deste ter­reno ficava um outro espaço caro as min­has lem­branças: um pomar com diver­sos tipos de mangueiras; manga de mesa, manga rosa, manga esse, e tan­tas out­ras. Mais atrás ficavam as capoeiras que não con­hecia.

Pas­sava pela casa que fora de tia Chiquinha, dos pri­mos, até chegar a casa de tio Diolindo, o tie Dió. Ficava um tempo com prima Clarice e depois me prepar­ava para ped­alar mais uma légua voltando.

Lev­ava quase um dia inteiro em tais aven­turas.

Há uns dez anos fui a Gov­er­nador Archer e de lá para Gonçalves Dias revis­i­tando min­has lem­branças.

Nos anos que pas­sei em Gov­er­nador Archer, morei na Rua do Sossego, por trás da casa adquirida ou alu­gada para estu­dar­mos, ficava (ou ainda fica) um campo de fute­bol por onde cor­tava cam­inho até a Escola Alde­nora Belo, onde estu­dava, depois morei na casa da minha irmã Bibia, na Rua Sete de Setem­bro.

Já na saída lembre-​me do sítio do primo Arlindo, filho de um irmão de minha mãe, eu, minha irmã Ana e suas fil­has Elianai e Etnã, passá­va­mos tardes brin­cado em banho do ter­reno.

Adi­ante pas­samos pelo pé de tamarindo onde, quando cri­ança, com meu pai ou algum irmão mais velho, a cav­alo ou de burro, pará­va­mos para comer algum de seus fru­tos, se era a estação. Mais à frente à entrada do povoado Vences­lau e na outra margem a entrada do Cen­tro do Came­los. Logo depois, pas­sando por onde out­rora fora um igarapé grande e de águas tur­bu­len­tas, que os bur­ros tin­ham difi­cul­dades em vencer, cheg­amos ao Cen­tro Novo.

Via­java com Afrânio e o sobrinho Wal­lace e ia dizendo o que era cada coisa, de quem fora cada casa, o que acon­te­cera em cada local.

Paramos no local onde ficava a casa onde nasci e nosso cur­ral – próx­imo dali foi con­struída a casa da minha irmã que adquiriu a pro­priedade.

Em seguida paramos no cemitério e em seguida na casa de um primo, até vencer­mos aquela légua para chegar em Gonçalves Dias.

Tudo já tão difer­ente da minha infân­cia.

As lem­branças do que pas­sei tornaram-​se um tesouro só meu. O que pas­sei no pomar, o que senti na serra, os risos no igarapé ou no açude, os medos que senti ao escor­re­gar … out­ros até lem­bram, mas são out­ras lem­branças.

Abdon C. Mar­inho é advo­gado.

O IGARAPÉ DA MINHA ALDEIA ENCHEU.

Por Abdon C. Marinho.

MINHA amada irmã mais velha, Deiza, mandou-​me, no fim de sem­ana pas­sado, as ima­gens do igarapé da minha aldeia com­ple­ta­mente cheio, com as pes­soas admi­radas com o vol­ume de água.

As ima­gens man­dadas por ela ati­varam min­has lem­branças adorme­ci­das há anos.

Pedrin­has é o igarapé da minha infân­cia, dos meus primeiros anos no Cen­tro Novo. Cri­ado soz­inho, como Deus cria batatas na beira do rio, lem­bro que ia pra lá e pas­sava man­hãs ou tardes ou dias inteiro ban­hando nele. Quando mais cheio, usava uma bóia de pneu velho.

Desde sem­pre fez parte da minha história.

Conta a lenda que quando vim ao mundo, em um dia de domingo, minha mãe deu à luz soz­inha pois todos da casa estava para o igarapé, as mul­heres voltadas para lavar as roupas e os demais, homens, meni­nos usando suas águas para a diver­são. Quando a parteira chegou lá estava eu pronto para as batal­has que viriam – e não seriam pou­cas.

As lem­branças que tenho dos meus primeiros anos são de um igarapé perene, com boa água o ano todo, usadas para tudo: dar banho nos ani­mais, nós mes­mos ban­har­mos, lavar as roupas, pescar umas piabas, e tan­tas out­ras coisas.

As águas do Pedrin­has só não eram uti­lizadas para beber, para este fim, uti­lizá­va­mos as águas de um poço cacimba, escav­ado com capri­cho e revestido até o fundo com tábuas de madeira; uma gan­gorra feita por marceneiro ded­i­cado com­punha a estru­tura para a cap­tação da água uti­lizada para beber e coz­in­har.

Imag­ino que rece­beu esse nome dev­ido as pedrin­has que cobriam todo o seu leito, em taman­hos diver­sos e que pare­ciam ter sido pol­i­das à mão.

Uma con­versa de adul­tos entre­ou­vida punha a imag­i­nação em curso. Certa vez ouvi: — fulano foi preso e lev­ado a Pedrin­has. Pen­sava qual o prob­lema de ficar preso em Pedrin­has? Gosto tanto de lá. Na minha mente infan­til, a única refer­ên­cia que tinha de Pedrin­has era a do “meu igarapé” favorito.

O igarapé cor­ria pelas ter­ras de meu pai, ao pé da serra onde pas­sava os dias a pas­sar­in­har ou a procura dos nin­hos – não tenho lem­branças de sua nascente.

Cor­rendo às mar­gens da estrada por entre o capim, o Pedrin­has gan­hava corpo numa espé­cie de várzea que ficava abaixo de um cur­ral ao lado de casa. Era nesse local que o uti­lizá­va­mos para o lazer.

Com o pas­sar dos anos as águas foram escasse­ando, o igarapé deixou de ser perene – acred­ito que a esti­agem, o des­mata­mento, a ocu­pação, ten­ham “matado” suas nascentes –, ainda assim, no inverno, usá­va­mos suas águas para as brin­cadeiras.

Foi por esse tempo, fins dos anos setenta para oitenta, que para ter uma outra reserva de água para os ani­mais e para o uso domés­tico, que meu pai con­tra­tou umas horas de tra­tor e fez um açude grande que rece­bia parte das águas do Pedrin­has no inverno.

Com o Pedrin­has seco ou com pouquís­sima água mudamos as brin­cadeiras para o açude. Já eram meus últi­mos anos no Cen­tro Novo. Dali a pouco iria para sede do municí­pio, primeiro Gov­er­nador Archer, depois Gonçalves Dias e, por fim, para a cap­i­tal.

Quando morava em Gonçalves Dias, vez ou outra, pegava minha “monareta” e ia até o Cen­tro Novo atrás dos resquí­cios da minha infân­cia. Pas­sava pelo cemitério onde des­cansa minha mãe e tan­tos out­ros entes queri­dos, pas­sava pelo Pedrin­has – ou o que fora ele –, subia a ladeira, até alcançar, às mar­gens esquerda, o local onde ficava o nosso cur­ral e casa onde nasci. Ambos extin­tos. À dire­ita só o chão árido, batido do que fora a casa de tia Mal­fisia (a irmã mais velha do meu pai), a casa do Pingo e prima Ciça e, por fim a casa de Maria Bizunga.

A ladeira às mar­gens do Pedrin­has que aces­sava a casa do meu pai era muito alta. Por isso mesmo o igarapé se aco­mo­dava em uma espé­cie de remanso entre os mor­ros.

Era em tal ladeira que den­tro de “con­gas” de coqueiros usá­va­mos para escor­re­gar até lá em baixo. A estrada até o povoado era “car­roçal”, quando, uma vez na vida outra na morte, pas­sava algum carro, era novi­dade para um mês inteiro.

Seguia na minha monareta, pas­sando pela antiga casa de Batista, pelo ter­reno que fora o sítio do meu avô (que não cheguei a con­hecer) – atrás deste ter­reno ficava um outro espaço caro as min­has lem­branças: um pomar com diver­sos tipos de mangueiras; manga de mesa, manga rosa, manga esse, e tan­tas out­ras. Mais atrás ficavam as capoeiras que não con­hecia.

Pas­sava pela casa que fora de tia Chiquinha, dos pri­mos, até chegar a casa de tio Diolindo, o tie Dió. Ficava um tempo com prima Clarice e depois me prepar­ava para ped­alar mais uma légua voltando.

Lev­ava quase um dia inteiro em tais aven­turas.

Há uns dez anos fui a Gov­er­nador Archer e de lá para Gonçalves Dias revis­i­tando min­has lem­branças.

Nos anos que pas­sei em Gov­er­nador Archer, morei na Rua do Sossego, por trás da casa adquirida ou alu­gada para estu­dar­mos, ficava (ou ainda fica) um campo de fute­bol por onde cor­tava cam­inho até a Escola Alde­nora Belo, onde estu­dava, depois morei na casa da minha irmã Bibia, na Rua Sete de Setem­bro.

Já na saída lembre-​me do sítio do primo Arlindo, filho de um irmão de minha mãe, eu, minha irmã Ana e suas fil­has Elianai e Etnã, passá­va­mos tardes brin­cado em banho do ter­reno.

Adi­ante pas­samos pelo pé de tamarindo onde, quando cri­ança, com meu pai ou algum irmão mais velho, a cav­alo ou de burro, pará­va­mos para comer algum de seus fru­tos, se era a estação. Mais à frente à entrada do povoado Vences­lau e na outra margem a entrada do Cen­tro do Came­los. Logo depois, pas­sando por onde out­rora fora um igarapé grande e de águas tur­bu­len­tas, que os bur­ros tin­ham difi­cul­dades em vencer, cheg­amos ao Cen­tro Novo.

Via­java com Afrânio e o sobrinho Wal­lace e ia dizendo o que era cada coisa, de quem fora cada casa, o que acon­te­cera em cada local.

Paramos no local onde ficava a casa onde nasci e nosso cur­ral – próx­imo dali foi con­struída a casa da minha irmã que adquiriu a pro­priedade.

Em seguida paramos no cemitério e em seguida na casa de um primo, até vencer­mos aquela légua para chegar em Gonçalves Dias.

Tudo já tão difer­ente da minha infân­cia.

As lem­branças do que pas­sei tornaram-​se um tesouro só meu. O que pas­sei no pomar, o que senti na serra, os risos no igarapé ou no açude, os medos que senti ao escor­re­gar … out­ros até lem­bram, mas são out­ras lem­branças.

Abdon C. Mar­inho é advo­gado.

ABDON MAR­INHO DESEMBARGADOR?

Escrito por Abdon Mar­inho

ABDON MAR­INHO DESEMBARGADOR?

Por Abdon C. Mar­inho.

DIVER­SOS ami­gos têm “atiçado”, provo­cado e insis­tido para que coloque meu nome à dis­posição dos cole­gas advo­ga­dos e advo­gadas na dis­puta da vaga de desem­bar­gador pelo quinto con­sti­tu­cional.

Até então tenho me man­tido dis­tante de tal dis­puta ao passo que muitos cole­gas, todos com muita com­petên­cia, diga-​se de pas­sagem, têm per­cor­rido as diver­sas sec­cionais na busca dos votos dos advogados/​eleitores.

Min­has reflexões pas­sam, ini­cial­mente, pelo fato desta ser uma dis­puta com­plexa com os pos­tu­lantes sub­meti­dos ao crivo de diver­sos Colé­gios Eleitorais.

Começa pela escolha direta da cat­e­go­ria que indi­cará doze pos­tu­lantes; que depois pas­sarão pelo crivo do Con­selho Estad­ual, que escol­herá os seis que serão encam­in­hados ao Tri­bunal de Justiça do Maran­hão, que for­mará uma lista com três dos quais o gov­er­nador, em decisão unipes­soal, nomeará um.

Ora, tal qual a música de Bel­chior, “sou ape­nas um rapaz latino-​americano, sem din­heiro no bolso, sem ami­gos impor­tantes e vindo do inte­rior …”. No meu caso, até mais difí­cil, pois filho de pais agricul­tores e anal­fa­betos por parte dos pais, das mães e das parteiras.

Sendo assim, não pos­suo rede de con­tatos ou de influên­cia sufi­cientes para cabalar os votos necessários nas várias eta­pas da dis­puta.

Dito isso, cada um dos ami­gos e cole­gas que têm incen­ti­vado tal pos­tu­lação ou que torcem ela, devem empenhar-​se na busca dos votos necessários em cada etapa – advo­ga­dos ou não.

A tais difi­cul­dades, some-​se o fato da “cam­panha ao desem­bargo”, alcançar-​me na ter­ceira recidiva da poliomielite, con­forme já informei em alguns tex­tos ante­ri­ores, ape­nas faço o reg­istro nova­mente – sem qual­quer vitimismo –, para dizer que não poderei ir até os cole­gas, nos mais de duzen­tos municí­pios ou mesmo nas sec­cionais ou em seus escritórios, ainda que na mesma cidade, na busca de convencê-​los a dar-​me o voto.

As difi­cul­dades de loco­moção que enfrento na atual quadra, impede-​me de fazer o mesmo em relação aos conselheiros/​eleitores, assim como, junto aos desem­bar­gadores que for­mu­la­rão a lista trí­plice, caso “passé” pelas eta­pas anteriores.

Assim, os con­tatos que farei com os cole­gas, serão pes­soal­mente, para aque­les que dese­jem me vis­i­tar no meu escritório ou mesmo na minha casa – onde serão bem rece­bidos –, ou através de con­tatos tele­fôni­cos, video­con­fer­ên­cia, redes soci­ais, e-​mail, car­tas, etc.

É o que posso para o momento. Reg­is­trando que tentarei falar com todos.

Do mesmo modo, não ter­e­mos almoços, jantares, coquetéis ou demais rapa­pés custea­dos por este que vos fala.

Muito emb­ora tenha uma car­reira sól­ida na advo­ca­cia, ela não me fez rico e não tenho e não desejo ter “patroci­nadores” nessa dis­puta.

Por outro lado, estou certo que o cre­den­ci­a­mento que nos faz mere­cer a con­fi­ança dos diver­sos inte­grantes dos Colé­gios Eleitorais, aqui referi­dos, é o que fomos (e somos) durante toda a vida, o trato com cole­gas, pro­mo­tores, juizes, defen­sores e todos os cidadãos.

É isso o que tenho a ofer­e­cer, como can­didato: o meu nome, a minha história de vida e a minha car­reira de mais de 25 anos na advo­ca­cia nacional.

Mais de um quarto de século ded­i­cado exclu­si­va­mente à advo­ca­cia, notada­mente, à advo­ca­cia eleitoral, admin­is­tra­tiva e munic­i­pal­ista.

Tam­bém rep­re­senta uma justa hom­e­nagem a tan­tos out­ros cole­gas que não pud­eram ou não tiveram a opor­tu­nidade de par­tic­i­par de tal escolha, que mate­ri­al­izo no nome do saudoso doutor João Dam­a­s­ceno Mor­eira, que foi meu com­pan­heiro de dis­puta na vez ante­rior.

Nada além disso.

Aos que tem a respon­s­abil­i­dade de escol­her devo dizer que mel­hor escolha é aquela que é feita pesquisando a história de vida e profis­sional dos postulantes.

Opor­tuno que as advo­gadas e advo­ga­dos façam isso antes da escolha.

A escolha para a vaga do quinto não é um con­curso de provas e títu­los, temos que escol­her pela história, pelo caráter, pelo com­por­ta­mento ético e moral do cidadão ou cidadã.

É isso que pesa na hora que os proces­sos e as vidas das pes­soas são deci­di­das.

Nem sem­pre os mais bem for­ma­dos e/​ou habil­i­ta­dos pos­suem a hon­esti­dade, a tem­per­ança, a sobriedade ou o senso de justiça necessários a ali­men­tar aos que têm na Justiça a der­radeira trincheira da cidadania.

Muitas das vezes, tais qual­i­dades e/​ou tal­en­tos, mili­tam no sen­tido de se dis­torcer a lei e a Justiça para aten­der inter­esses próprios ou de ter­ceiros.

Os meus posi­ciona­men­tos sobre o que penso sobre os mais vari­a­dos temas são públi­cos e estão expos­tos nos mais de mil arti­gos e “tex­tões» escritos nas últi­mas décadas, e que são públi­cos, podendo ser aces­sa­dos no site www​.abdon​mar​inho​.com .

É bem pos­sível que muitos deles já ten­ham sofri­dos mod­i­fi­cações de pen­sa­mento, uma vez que só os abso­lu­ta­mente igno­rantes não mudam, mas, em lin­has gerais, são essas as for­mu­lações teóri­cas ou min­has inda­gações e ques­tion­a­men­tos que con­duzirão, nos lim­ites da lei, meus jul­ga­men­tos na even­tu­al­i­dade de vir a ser o escol­hido.

Dito isso, informo que colo­carei o meu nome à dis­posição das cole­gas e dos cole­gas advo­ga­dos que dese­jarem nele votar como rep­re­sen­tante da advo­ca­cia no TJMA na vaga des­ti­nada ao quinto con­sti­tu­cional.

Caso con­siga a con­fi­ança das sen­ho­ras e dos sen­hores, seguire­mos adi­ante. Afi­nal, cada dia com sua ago­nia.

O nosso nome é colo­cado como mais uma opção den­tre as demais de cole­gas igual­mente dig­nos e capazes.

Hoje, 20 de janeiro, Dia de São Sebastião é um bom dia para fazer esse comu­ni­cado a todos.

Abdon C. Mar­inho é advogado.

O Golpe de Itararé.

Escrito por Abdon Mar­inho


O GOLPE DE ITARARÉ.

Por Abdon C. Mar­inho.

A TERÇA-​FEIRA, 11 de setem­bro de 2001, alcançou-​me em um dia nor­mal de tra­balho no escritório que fun­cionava no edifí­cio Los Ange­les, no Renascença. Como chego cedo no escritório, já por volta das 7 horas já cos­tumo enfrentar o batente, quando recebe­mos a infor­mação do ataque ter­ror­ista às tor­res gêmeas, em Nova Iorque, o dia de tra­balho já ia avançado.

Lig­amos a tele­visão e pas­samos a acom­pan­har o desen­volvi­mento dos fatos.

Um com­pro­misso pre­vi­a­mente agen­dado na Assem­bleia Leg­isla­tiva, que ainda fun­cionava na Rua do Egito, 144, Cen­tro, fez com que, chegando lá, con­tin­u­asse a acom­pan­har as trans­mis­sões do gabi­nete do dep­utado Ader­son Lago, local do com­pro­misso.

Pouco depois da minha chegada é anun­ci­ada a pre­sença do saudoso ex-​deputado Domin­gos Fre­itas Diniz (19332021), com quem pas­sei a tro­car impressões sobre aque­les fatos históri­cos que se desen­volviam diante dos nos­sos olhos. Durante anos, enquanto gozava de boa saúde, Fre­itas Diniz me lig­ava – às vezes ia ao escritório –, para tro­car­mos ideias sobre a política local, estad­ual ou nacional.

A coin­cidên­cia levou-​nos ao gabi­nete de Ader­son Lago naquela manhã, e, enquanto assis­ti­mos ao vivo a trans­mis­são única em todos os canais, Fre­itas Diniz pon­tu­ava: —veja, doutor Abdon, quanta estu­pidez. Se tais ter­ror­is­tas pre­tendiam com­bater os amer­i­canos ou o seu impe­ri­al­ismo ou ainda vingar-​se ou fazer alguma retal­i­ação, acabaram por fornecer mais argu­men­tos aos amer­i­canos.

Nas sem­anas, nos meses, nos anos seguintes e ainda hoje, con­stata­mos o acerto e pré­cisão daque­las palavras.

Logo após os ataques (além das tor­res gêmeas, houve o ataque ao Pen­tá­gono e ainda a queda de um outro avião der­rubado pelos pas­sageiros em con­flito com os ter­ror­is­tas, o voo 93, que podemos assi­s­tir em canais de stream­ing), os amer­i­canos e seus ali­a­dos começaram, em nome do com­bate ao ter­ror­ismo e em represália aos ataques sofri­dos, a retal­iar seus inimi­gos, tivessem eles ou não qual­quer par­tic­i­pação nos atos de 11 de setem­bro.

O primeiro país a sofrer as con­se­quên­cias foi o Iraque, muito emb­ora até hoje ninguém tenha provado qual­quer lig­ação daquele pais com os ataques, depois que se voltaram con­tra o Afe­gan­istão e os tal­ibãs da Al-​Qaeda, que, efe­ti­va­mente, tiveram par­tic­i­pação nos ataques.

A história tem mostrado que pas­sa­dos mais de duas décadas, ainda hoje, os amer­i­canos usam a des­culpa dos ataques sofri­dos, para retal­iar ou jus­ti­ficar retal­i­ação à regimes diver­gentes.

No domingo, 8 de janeiro de 2023, após o cochilo pós almoço, assis­tia algum filme ou canal de história (que sou fã) quando me alcançou a notí­cia de que man­i­fes­tações descam­bando para a vio­lên­cia invadira a Praça dos Três Poderes e amaçavam invadir o pré­dio do Con­gresso Nacional, do Supremo Tri­bunal Fed­eral e o Palá­cio do Planalto.

Como fiz­era há mais de duas décadas, pas­sei a dedicar-​me inteira­mente ao acom­pan­hamento dos fatos, da história que estava acon­te­cendo diante dos meus olhos em ima­gens per­feitas de alta res­olução ou ainda através dos vídeos feitos dire­ta­mente pelos que estavam em Brasília e que, em um exibi­cionismo incom­preen­sível, faziam questão de se mostrar para o mundo.

Ten­tava com­preen­der o que estava acon­te­cendo e não enten­dia.

Os “nos­sos” ter­ror­is­tas mais pare­ciam uma inspi­ração para uma comé­dia – se não fosse trágico, o que estavam fazendo.

Diante das primeiras ima­gens fiquei com a impressão tratar-​se de “um piquenique na esplanada”, já mais frente foi como um show de rock pesado que descam­bara para o quebra-​quebra – muito emb­ora tal analo­gia não tenha nada a ver.

O ataque aos poderes da República, pare­cia a obra de um esfar­ra­pado “exército de Bran­ca­le­one”.

A despeito da gravi­dade ímpar dos acon­tec­i­men­tos, enquanto os assis­tia, o que me vinha à mente era que está­va­mos diante não de um ataque de sedição.

A lem­brança a os que fatos acon­te­cendo ali diante dos meus olhos me reme­tiam eram dos fanáti­cos sui­ci­das de Jim Jones (James War­ren «Jim» Jones, 19311978), ocor­rido em 1978, quando 918 pes­soas sac­ri­ficaram as próprias vidas em nome de uma crença insana.

O “golpe”, se é que acred­i­tavam, de fato, que pode­riam der­rubar o gov­erno empos­sado na sem­ana ante­rior, parecia-​me tão inex­e­quível quanto se acer­tar uma pedra na lua.

O “golpe” de 8 de janeiro, pareceu-​me tão fadado ao fra­casso quanto à famosa batalha de Itararé, que entrou para história como a batalha que não acon­te­ceu.

Foge à minha com­preen­são que os ide­al­izadores de tais even­tos ten­ham sido tão igno­rantes ou toscos – não posso chamá-​los de “bur­ros” para não ofender os quadrú­pedes –, a ponto de imag­inarem que aquele “piquenique de domingo” mis­tu­rado com fim de show de heavy metal, fosse capaz de der­rubar um gov­erno, em uma democ­ra­cia com mais de 200 mil­hões de habi­tantes.

Os cidadãos foram lá ocu­param os pré­dios públi­cos por pouco mais de duas horas, se muito, tempo sufi­ciente, ape­nas para van­dalizarem o patrimônio público, antes de serem dom­i­na­dos e deti­dos pelas forças de segu­rança.

Imag­ino que se a “alo­prada” tivesse sido plane­jada e exe­cu­tada pela “esquerda” ou pelos comu­nistas, como chamam, talvez, não tivesse cumprido tão fiel­mente os seus obje­tivos quanto os que foram alcançados.

A ver­dadeira posse do pres­i­dente Lula não ocor­reu no dia primeiro de janeiro, ela se deu no domingo, dia 8, quando os atos tres­lou­ca­dos de uma mul­ti­dão de fanáti­cos o legit­i­mou.

Os três poderes con­sti­tuí­dos e a esma­gadora maio­ria da pop­u­lação brasileira viu que não é aquilo que quer­e­mos para o país.

Acho, sin­ce­ra­mente, que as mil­hares de pes­soas que ficaram meses nas por­tas dos quar­téis mil­itares, os que se deslo­caram até Brasília para a “tomada do poder”, foram sim­ples­mente usadas, enganada com fal­sas promes­sas e nar­ra­ti­vas de que houve fraude nas eleições, de que o Brasil vai virar uma Venezuela, que daqui a três ou qua­tro sem­anas a pop­u­lação terá que matar cães e gatos para se ali­menta­rem.

Não duvido, que, assim como a promessa de sal­vação plena levou aque­las cen­te­nas de pes­soas ao suicí­dio naquele ano de 1978, as mil­hares que acor­reram para come­ter crimes em Brasília e “der­rubar o poder”, se imag­i­navam numa mis­são nobre: “sal­var o Brasil”.

Isso em relação as “buchas de can­hão”, as “tiaz­in­has” do zap. Mas, sabe­mos, tam­bém, que esse “caldo” de rad­i­cal­iza­ção tem uma origem, sabe­mos, que os ide­al­izadores, finan­ciadores, tin­ham como propósito der­rubar o gov­erno, insta­lar um régime de exceção, com todas con­se­quên­cias, inclu­sive, fatais, dela decor­rentes.

Faz-​se necessário inves­ti­gações respon­sáveis, sem aço­da­men­tos ou sen­ti­men­tos de retal­i­ação, que tenha como obje­tivo sep­a­rar o joio do trigo, víti­mas de cul­pa­dos.

As víti­mas que respon­dam nos lim­ites dos seus atos, mas sem perder de vista os ver­dadeiros cul­pa­dos pela ten­ta­tiva de golpe insti­tu­cional.

As inves­ti­gações sobre a ten­ta­tiva de golpe têm rev­e­lado atos preparatórios e rede de comando e finan­cia­mento que pre­cisa ser rev­e­lada à pop­u­lação de forma clara. Uma min­uta de decreto encon­trada na casa do ex-​ministro da justiça – que teve a prisão dec­re­tada e já está a cam­inho do Brasil –, rev­ela que tin­ham, sim, a intenção de mod­i­ficar o resul­tado das urnas na marra.

O ex-​presidente da República antes de “fugir” do país – antes, durante e depois do pleito eleitoral –, fez pro­nun­ci­a­men­tos cifra­dos levando “men­sagens” aos seguidores fanáti­cos, levando-​os à prática de atos em seu nome e por sua causa. Talvez por o isso, a Procuradoria-​Geral da República, que nos últi­mos qua­tro anos man­teve um silên­cio a aprox­i­mou da omis­são, enten­deu que dev­e­ria pedir a inclusão do ex-​mandatário no inquérito que apura os atos de 8 de janeiro.

A resposta talvez esteja no que ocor­reu durante os últi­mos qua­tro anos de mas­sacre as insti­tu­ições da república.

Transparên­cia, sobriedade e rigor nas inves­ti­gações serão fun­da­men­tais para apu­ração e respon­s­abi­liza­ção dos ver­dadeiros cul­pa­dos.

Não podemos per­mi­tir que em nome da democ­ra­cia, do ideal de se com­bater o “ter­ror­ismo”, se cometa vio­lações a dire­itos, abu­sos ou ter­ror­ismo de estado.

É isso que a sociedade exige: Democ­ra­cia sempre!

Justiça, sim! Vin­gança, não!

Abdon C.Marinho é advogado