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ANÕES EM CAMPO.

Escrito por Abdon Mar­inho

ANÕES EM CAMPO.

Antes de mais nada deix­amos claro que o termo \“anão\» aqui usado é feito no sen­tido fig­u­rado que con­sta no dicionário nacional como sig­nif­i­cando “aquele que é de pouca inteligên­cia e/​ou cul­tura, de escasso merec­i­mento, insignificante”.

O termo foi usado por um servi­dor israe­lense para definir o está­gio da diplo­ma­cia atual do Brasil, no cenário mundial. O pre­sente texto não tratará do con­flito que ora ocorre no Ori­ente Médio e em out­ras partes do mundo sobre os quais o nosso país tem se man­i­fes­tado mais ori­en­tado por ide­olo­gia do que seguindo o que deter­mina a Con­sti­tu­ição Fed­eral. Falare­mos, ainda que por alto da falta de per­spec­tiva que assola o país e demon­stra ainda que por vias tor­tas o quanto a assertiva do diplo­mada israe­lense estava certo na sua assertiva.

Todos com­preen­demos que gov­er­nos erram e acer­tam na con­dução dos des­ti­nos do povo. O prob­lema brasileiro vai além disso. Nos últi­mos anos o país, parece, perdeu o rumo, a noção do certo e do errado e pas­sou a agir sem medir as con­se­qüên­cias de nada. Como se o grupo que está no poder tudo pudesse, uma terra sem lei.

As notí­cias que chegam são de forma escan­dalosas e graves que as pes­soas não têm tempo de proces­sar ou dimen­sionar o seu alcance. Não faz muitos dias, por ocasião do jul­ga­mento pelo TCU da escan­dalosa com­pra da refi­naria de Pasadena pela Petro­bras, foi divul­gado que um min­istro de Estado, no caso o da Justiça, ten­tou por todos os meios pres­sionar o tri­bunal para que retar­dasse o jul­ga­mento, jogando-​o para depois das eleições ou para as cal­en­das ou ainda que livrasse a cara dos (in)responsáveis pelo escân­dalo. Mais, o gov­erno, o ex-​presidente Lula e seus ali­a­dos, teriam, entre os diver­sos mecan­is­mos de pressão, colo­cado no “bal­cão” dos negó­cios da República até cargo de min­istro do STF na vaga surgida com a renún­cia do min­istro Joaquim Barbosa.

Ape­sar da gravi­dade destas notí­cias, salvo um mux­oxo aqui e ali, ninguém deu a mín­ima. A gravi­dade já seria imen­su­rável só pelo fato de um min­istro, um ex-​presidente ten­tar retar­dar um jul­ga­mento de um tri­bunal, quanto mais ten­tar direcioná-​lo. Provando que não há lim­ites para bar­bárie moral vive o país, escacaram o nojento apar­el­hamento dos poderes republicanos.

Quando da renún­cia do min­istro Bar­bosa, escrevi sobre o desserviço que o ato sig­nifi­caria as insti­tu­ições pois seria mais uma vaga que os donos do poder usariam para apar­el­har o tri­bunal. Infe­liz­mente, os últi­mos anos tem mostrado que não existe qual­quer padrão ético e a ver­dade, emb­ora não inco­mode mais ninguém, chega antes do podemos imaginar.

No jul­ga­mento da escan­dalosa com­pra da refi­naria o tri­bunal apon­tou lesão ao país de quase 800 mil­hões e respon­s­abi­li­zou 11 (onze) de seus diri­gentes mas livrou de qual­quer respon­s­abil­i­dade o seu Con­selho de Admin­is­tração a época pre­si­dido pela atual inquilina-​mor do palá­cio do planalto. Emb­ora os mais apres­sa­dos achem que houve altivez e que o tri­bunal não cedeu a nen­huma pressão, con­hecendo o Brasil como con­heço, sou capaz de apos­tar que cam­in­haram para uma solução salomônica. Ao colo­car tanta gente no mesmo barco, inclu­sive alguns que pos­sam não ter respon­s­abil­i­dade sobe­ja­mente com­pro­vada e ates­tar que o con­selho que autor­i­zou a com­pra não teve respon­s­abil­i­dade, me parece que con­duzirão as coisas para lugar nen­hum, sem o resul­tado prático que devolva aos cofres públi­cos o pre­juízo inte­gral e mande para a cadeia os tiveram culpa no cartório. Se bem que aí, já seria querer demais.

Anal­isando esse episó­dio, vemos que não há uma pre­ocu­pação com o zelo insti­tu­cional, um respeito a garan­tir o equi­líbrio entre as forças gestoras do país. Usam as insti­tu­ições como pro­priedade pri­vada cujo obje­tivo é atuar como linha aux­il­iar de um pro­jeto de poder, os inter­esses do país são o que menos importa. Ape­sar de con­denar Israel e tratar o Hamas como uma insti­tu­ição human­itária, o gov­erno brasileiro quando se man­i­festou sobre o aten­tado ter­ror­ista que der­rubou o voo MH17 na Ucrâ­nia, matando 300 pes­soas, através da própria pres­i­dente, foi para com­prar a patranha que o ato ter­ror­ista pode­ria ser para assas­si­nar o pres­i­dente russo que retomava do Brasil. Ninguém se deu conta da grave ilação feita pela pres­i­dente de que uma nação sober­ana pode­ria está por trás de um ato ter­ror­ista para der­rubar um avião que con­duzia um chefe de Estado. Não fosse o calor do momento os ucra­ni­anos pode­riam pedir expli­cações ao gov­erno brasileiro pelo desatino, no mín­imo chamar o embaix­ador para esclare­cer as colo­cações da mandatária.

O nanismo gov­er­na­men­tal capaz de atos como os nar­ra­dos acima, tanto na destru­ição das insti­tu­ições quanto na política externa vex­atória, vai além, passa pela própria destru­ição da iden­ti­dade nacional. A maio­ria das pes­soas não se dão conta como isso acon­tece, ape­sar disso os danos vão sendo cau­sa­dos, como no dito pop­u­lar: água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Outro dia, a própria pres­i­dente da República se refe­ria as críti­cas sofridas como uma con­trariedade da “elite branca” brasileira. Acho que de todas mal empre­gadas, esse talvez seja o a mais grave, a própria pres­i­dente sep­a­rando os seus pre­si­di­dos por cor e por situ­ação econômica. Estadis­tas, gov­er­nantes sérios, com­pro­meti­dos, enten­dem que o seu papel com con­du­tores é diminuir as ten­sões entre os povos, prin­ci­pal­mente entre o seu povo. Há racismo no Brasil? Claro que há. Há elite no Brasil? Acho que sim. Entre­tanto os gov­er­nantes, ainda que esses ele­men­tos fos­sem mais pre­sentes do que de fato são, ainda que hou­vesse ten­são social cau­sada por eles, dev­e­riam eram bus­car mecan­is­mos para minimizá-​los, reduzi-​los e não, como fazem, pas­sar enx­er­gar con­fli­tos raci­ais onde não exis­tem e ten­tar dividir ainda mais a nação. O gov­erno brasileiro, cada vez mais, apela para a desagre­gação social como instru­mento de manutenção do poder. Sobre a tal “elite branca” escreverei um texto específico.

Tem sido assim ao longo dos últi­mos anos. Até as coisas pos­i­ti­vas que fazem – esses gov­er­nos, como os ante­ri­ores, tem feitos pos­i­tivos –, não tem como razão de ser o engrandec­i­mento da nação e sim a busca desen­f­reada pelo voto e a manutenção do poder.

A falta de com­pro­misso com o papel do país no mundo e até mesmo com os inter­esses nacionais é tamanho que no momento em que os gov­er­nantes das demais nações estravam em con­tato uns com out­ros em face do agrava­mento da crise no Ori­ente Médio e na fron­teira ucra­ni­ana, o gov­erno brasileiro, pres­i­dente à frente, estava reunido com os times de fute­bol para debater sobre as dívi­das dos clubes com a pre­v­idên­cia e talvez meter a col­her no campe­onato brasileiro, um assunto que não diz respeito ao gov­erno. Como querem ser lev­a­dos a sério com isso tudo?

Nas colo­cações do porta-​voz do Min­istério das Relações Exte­ri­ores de Israel, Yigal Pal­mor, sem dis­cu­tir o mérito da guerra, faço um reparo, uma guerra, em hipótese alguma, pode ser com­parada a uma der­rota num campo de fute­bol, ainda que a der­rota seja por um vex­atório sete a um. Ao fazer a descabida com­para­ção, se igualou a própria diplo­ma­cia brasileira. Ape­nas para relem­brar, quando a acon­te­ceu o desas­tre aéreo em Con­gonhas e o Sr. Marco Aurélio Gar­cia, con­sel­heiro de relações exte­ri­ores do país, respon­deu com um gesto obsceno quando saiu a notí­cia que o gov­erno teria menos culpa no episó­dio quando se supunha no primeiro momento. Esse rel­a­tivismo do que é de fato impor­tante iguala os episó­dios por baixo, no desre­speito à humanidade.

Abdon Mar­inho é advogado.

O QUE O FUTURO NOS RESERVA.

Escrito por Abdon Mar­inho

O QUE O FUTURO NOS RESERVA.

Em tem­pos de comu­ni­cação mod­erna, meu sobrinho me aciona pelo What­sApp. Nas men­sagens que se seguiram, entre os palavrões que foram incor­po­ra­dos ao palavreado destes dias, a revolta com o fato das pes­soas que o assaltaram e levaram seu carro outro dia, no momento em que par­ava numa far­má­cia para com­prar algo para os fil­hos recém-​nascidos, já estarem soltos. Jun­tos com os ter­mos de revolta que não ouso pub­licar, por impróprios, um vídeo com a imagem e declar­ações dos assaltantes. Em seus depoi­men­tos, impres­siona que pes­soas tão jovens, ado­les­centes, con­forme dito com dezes­seis anos, seja capazes de, sem qual­quer temor, colo­car uma arma na cabeça de um outro jovem, ape­nas um pouco mais velho, um pai de família, tomar-​lhe um veículo e talvez ceifar-​lhe a vida sem preocupar-​se com os deste jovem, esposa, fil­hos. Con­tava isso a um amigo quando ele me inter­rompeu para dizer que há menos de três meses sofreu um assalto na saída do banco. Os ladrões numa moto pen­savam que ele sacara din­heiro, colo­caram a arma na cabeça dele exi­gi­ram tudo que tinha, ante a infor­mação que nada pos­suía no momento – tinha ido ao banco deposi­tar e não sacar –, pas­sou momen­tos de angús­tia com o par­ceiro do lhe apon­tava a arma metendo “pilha” para que ele ati­rasse na vítima.

Fatos como estes estão acon­te­cendo todos os dias na nossa cidade, no nosso estado, no nosso país. A sucessão de tragé­dias mais parece um risco arran­hado, de tanto que se repete.

Nos meus anos de infân­cia e ado­les­cente con­vivi com a ideia de que os jovens eram o futuro da nação. Hoje me per­gunto qual é a ideia de futuro que temos para o país.

con­frontado com a vio­lên­cia que viti­mou meu sobrinho e meu amigo, refle­tia sobre o que vem acon­te­cendo com ö futuro do país”. Temos cri­anças já a par­tir dos dez anos empun­hando armas, já a par­tir dos doze chefiando quadrilhas. A maio­ria deles, segundo relato das víti­mas, mais cruéis e vio­len­tos que os maiores.

A vio­lên­cia é, hoje, a maior urgên­cia nacional. Não digo pelos atos desumanos que esta­mos sujeitos todos os dias, mas sim porque a ela está com­pro­m­e­tendo o próprio futurou da nação. Os efeitos disso não tar­darão a apare­cer de forma mais con­sis­tente. Hoje já se sente os reflexos em diver­sos setores, daqui a alguns daïs será deter­mi­nante para a econo­mia, a cul­tura, a educação.

Ao lado da neces­si­dade de com­bat­er­mos a impunidade que viceja numa leg­is­lação que faz o crime com­pen­sar, há tam­bém a neces­si­dade de estu­dar­mos as razões da vio­lên­cia que tomou de conta dos lares brasileiros.

A impressão que tenho é que a sociedade brasileira está aneste­si­ada de tal forma que acha nor­mal viver tran­cada den­tro seus con­domínios, com suas casas de muros ele­va­dos e toda a parafer­nália de pro­teção – que ape­nas inibe a vio­lên­cia – enquanto nas ruas, a guerra corre solta. A con­for­mação é tamanha que diante do fato de se perder os entes queri­dos quase todos os dias existe ape­nas a res­ig­nação. Como se fosse comum e nor­mal viver­mos pre­sos, como se fosse razoável nos res­ig­n­ar­mos diante da perda de cri­anças, jovens, que mal con­hece­ram a vida. Obje­ti­va­mente a sociedade se coloca em dois gru­pos um que acha que a repressão resolve e um outro que acha que deve­mos man­ter a situ­ação de impunidade, uma vez que a vio­lên­cia é fruto da desigual­dade social.

Acred­ito que as duas teses ao invés de antípo­das dev­e­riam con­ver­gir. Assim como é fun­da­men­tal ter­mos leis que punam e coíbam o crime com sev­eri­dade, pondo fim a cul­tura de que o crime com­pensa, seja pela impunidade, seja por conta das leis bran­das, é igual­mente impor­tante que toda sociedade e seus gov­er­nos esta­beleçam uma política de pro­teção e pre­venção a vio­lên­cia por e con­tra cri­anças e jovens.

Até aqui a sociedade tem per­dido seus fil­hos para crim­i­nal­i­dade. E isso começa cedo, desde a ausên­cia de plane­ja­mento famil­iar, edu­cação, assistên­cia social à leniên­cia diante dos crimes. As inter­venções do Estado, as políti­cas de pro­teção e pre­venção têm sido, até aqui, quase sem­pre nefas­tas. Como podemos explicar que cri­anças de dez, doze anos este­jam no crime? A primeira expli­cação é que não houve para elas qual­quer refer­ên­cia famil­iar, ninguém lhes ensi­nou quais­quer val­ores, nem o sagrado valor que tem a vida, tanto do seu semel­hante quanto a sua própria pois rara­mente os que enveredam pelo cam­inho do crime pas­sam dos 30 anos.

Os debates que travam sobre o assunto são na maio­ria das vezes estéreis. Há um erro de origem com as famílias abdi­cando de suas respon­s­abil­i­dades, do seu dever paterna. E esses erros vão se ampliando na falta de uma política edu­ca­cional que vá além dos estre­itos lim­ites dos con­teú­dos e tente, ao menos, pas­sar alguma noção de cidada­nia a esses infantes. Por fim uma sociedade abso­lu­ta­mente indifer­ente a seu próprio destino.

Em todos os can­tos assis­ti­mos a recla­mação geral con­tra o caos que se instalou na sociedade, con­tra os mor­ticínios indis­crim­i­na­dos, etc. Mas há que se inda­gar, alguém, exceto quando a vio­lên­cia bate a sua própria porta, se pre­ocupa com o que vem acon­te­cendo? Tomemos como exem­plo as cor­po­rações de advo­ga­dos, médi­cos, juízes, pro­mo­tores, empresários, temos visto suas pre­ocu­pações além dos seus inter­esses mais ime­di­atos? Quase nunca. A maio­ria sequer ousa recla­mar, fin­gem que não é com elas, com seus inte­grantes. Se recla­mam é como se estivessem pedindo des­cul­pas aos man­datários de plan­tão. Criou-​se a ideia – falsa – de que a crítica é uma ofensa pes­soal aos gov­er­nantes e que não podemos, os cidadãos, faz­er­mos isso. A par­tic­i­pação social que é – ao menos dev­e­ria – um dever do cidadão ganha ares de escân­dalo. Se alguém diz ou reclama de algo, vira inimigo. Ano após ano os indi­cadores apon­tam piora na edu­cação, um ou outro faz um pros­elit­ismo político aqui ou ali mas ninguém ousa chamar para si, enquanto cidadão, a respon­s­abil­i­dade para a denun­ciar as fal­has. A edu­cação vem per­dendo qual­i­dade a cada ano e ninguém parece se impor­tar com isso. Agora mesmo – e é assim quase todos os anos –, a edu­cação dos prin­ci­pais municí­pios do Maran­hão está par­al­isada. Faz mais de 60 dias que muitas esco­las estão com as por­tas bati­das, exceto pelos pro­fes­sores e alguns pais em protestos, o restante da sociedade parece descon­hecer essa situ­ação. Igno­rar que a cri­ança sem escola hoje, pode ser o mar­ginal de amanhã.

A omis­são da sociedade tem uma parcela con­sid­erável nos altos índices de vio­lên­cia que assom­bra a todos. Ninguém quer se indis­por com as autori­dades, ninguém quer dizer a verdade.

O Brasil tem com­pro­metido o seu pre­sente com essa política de covardes. Temos no mín­imo três ou qua­tro ger­ações per­di­das e se não fiz­er­mos algo com urgên­cia, as próx­i­mas ger­ações, o futuro da nação tam­bém estará com­pro­metido, restará a todos leitura do man­ual não escrito da covardia.

Abdon Mar­inho é advogado.

A ADESÃO. QUE ADESÃO? por João Damasceno.

Escrito por Abdon Mar­inho

A ADESÃO. QUE ADESÃO? por João Damasceno.

As ger­ações pre­sentes, pre­ocu­padas com a ciên­cia dos com­puta­dores e os reflexos da física quân­tica na expli­cação das ori­gens do Uni­verso, pouco se inter­essa pela ciên­cia mãe, o príncipe Syrob, em razão das influên­cias int­elec­tu­ais que sofre, aman­heceu querendo enten­der o porquê do feri­ado de hoje, nossa con­versa durou mais de uma hora, resol­vendo eu neste espaço opinar sobre o assunto. É fato que os movi­men­tos nativis­tas brasileiros tiveram seu apogeu no período regen­cial, e que Sabi­nada, Far­roupilha, Caban­agem, Praieira, Bal­a­iada etc, sofr­eram influên­cias da Rev­olução Francesa, Inde­pendên­cia Amer­i­cana, dos bacharéis que foram estu­dar na Europa e out­ros fatores, nesta terra, muito antes de Gonçalves Dias vir ao mundo, nosso povo já cla­mava por liber­dade, tal decor­reu da importân­cia econômica bem como da prox­im­i­dade geográ­fica com a metró­pole o que per­mi­tia uma comu­ni­cação direta e per­ma­nente com Por­tu­gal, a pujança da região atraiu a cobiça de piratas, corsários e de aven­tureiros aqui chegantes após a divisão das ter­ras des­ti­nadas a Por­tu­gal pelo Tratado de Torde­sil­has, em Cap­i­ta­nias Hered­i­tarias no gov­erno de D João III, nesse processo, o maran­hão com­preen­deu o Maran­hão , partes I e II, Ceará e Rio Grande do Norte, com as invasões e respec­ti­vas ten­ta­ti­vas de ocu­pação por france­ses e holan­deses, foram definidos os lim­ites do Maran­hão durante a Dinas­tia Fil­ip­ina, foram estra­b­ele­ci­dos nos ter­ritórios onde hoje estão assentes os Esta­dos do Pará, Ama­zonas, Maran­hão e Ceará, a pros­peri­dade foi ráp­ida, emb­ora o tra­balho escravo tenha sofrido lim­i­tações em vir­tude da influên­cia do Padre Antônio Vieira con­forme decisão human­itária orig­i­nada do Con­cílio de Trento que durou de 1545 a 1553, alu­dida região, para admin­is­trar as empre­sas que se insta­lavam e mel­hor trib­u­tar em favor da coroa foi cri­ada a Com­pan­hia do Comér­cio do Maran­hão em 1682, o que resul­tou no estanco, insti­tuto ger­ador de um monopólio com­er­cial que cau­sou imen­sos danos ao escambo, e à bal­ança com­er­cial que lev­ava desvan­ta­gens imen­sas entre o expor­tado e os pro­du­tos que impor­tava, diante desse quadro, os irmãos Tomás e Manuel Beck­man, que faziam parte da elite da nossa terra lid­er­aram um movi­mento de insat­is­feitos com essa política escor­chante que resul­tou na primeira rev­olução brasileira, na qual cerca de cem homens assaltaram os armazéns da Com­pan­hia, tomaram o Corpo da Guarda e dom­i­naram política e mil­i­tar­mente por um pequeno espaço de tempo a região, for­mada a junta gov­er­na­men­tal, que­riam expul­sar os jesuí­tas, abolir a Com­pan­hia Com­er­cial e depor o gov­er­nante por­tuguês, sem o apoio que esper­avam, os revoltosos foram facil­mente ven­ci­dos pelas tropas por­tugue­sas que aqui desem­bar­caram sob o comando do novo gov­er­nante Gomes Freire de Andrade, o resto é con­hecido, Manuel Beck­man e Jorge de Sam­paio foram enfor­ca­dos e os out­ros sofr­eram prisão per­pé­tua, Esse ensaio mostra o quanto o Maran­hão sofria a influên­cia direta dos col­o­nizadores, os sécu­los se pas­saram e o imper­ador, em con­luio com a Inglaterra e elite por­tuguesa aqui res­i­dente pro­moveu o que a história ofi­cial até hoje chama de \“inde­pendên­cia\», situ­ação muito con­fusa para nossa his­to­ri­ografia até a pub­li­cação de Evolução Política do Brasil por Caio Prado Júnior em 1933, cuja obra foi anal­isada por EmÍla Viotti da Costa e out­ros adep­tos da Nova HIistória que deu out­ras luzes à história tradi­cional trazida a nós por Varn­hagem, Tobias Mon­teiro e Oliveira Lima, em estudo mem­o­rável, a pro­fes­sora Socorro Cabral, mostra que no primeiro quar­tel do século XIX, o poder político do Maran­hão estava nas mãos dos com­er­ciantes por­tugue­ses, e que tais man­tinha priv­ilé­gios colo­ni­ais garan­ti­dos pela coroa, cujos inter­esses seriam atingi­dos pela inde­pendên­cia, pois sep­a­rado politi­ca­mente da metró­pole, a tendên­cia era sur­gir uma política de igual­dade inclu­sive trib­utária, situ­ação que incen­tivou essa elite a criar meios para fazer do Maran­hão um Estado inde­pen­dente do Brasil e sub­or­di­nado à corôa por­tuguesa, nesse sen­tido solic­i­tou reforço de tropas por­tugue­sas a fim de enfrentar a tropas impe­ri­ais que para cá se diri­giam na ten­ta­tiva de paci­ficar o país e obri­gar a provín­cia rebelde a aceitar a nova orga­ni­za­ção política nacional, ape­sar dos esforços da elite o povo que­ria ser dono do seu chão, ter a cidada­nia e a igual­dade que até então lhe era negada, o movi­mento de adesão tomou corpo, na medida em que se for­maram em cor­pos defin­i­tivOs frentes litorânea e a sulina, ocor­rendo assim que o Maran­hão tar­dia­mente colonizado,adquiriu grandeza e uma estru­tura econômica de uma classe que já rece­bia a segunda ger­ação de seus fil­hos que haviam estu­dado em Coim­bra, Sor­bonne e Cam­bridge, assim não inter­es­sava à elite mod­i­ficar o Sta­tus Quo, pois aqui a for­mação de gigan­tescas propriedades,criadora da política lat­i­fundiária e sua relação com o poder político que dura até os dias que cor­rem, no período com­preen­dido entre a chegada da família real quando lhe fazia com­pan­hia toda dinas­tia de Bra­gança, bem como as cortes con­sti­tu­intes e extra­ordinárias da Nação Por­tuguesa, até a chamada adesão, o lat­Ifún­dio, pren­deu, matou e dester­rou mil­hares de nordes­ti­nos, razões de enganarem-​se os que defen­dem ter o deslo­ca­mento maciço de pop­u­lações das regiões ári­das do Sertão para o Maran­hão ocor­rido somente no século XX. Certo é que ape­sar do ato de 7 de setem­bro de 1822 ter pro­movido a \«inde­pendên­cia\», exi­s­ti­ram resistên­cias provin­ci­ais, e vas­tos gru­pos políti­cos, prin­ci­pal­mente os chama­dos con­ser­vadores que atrasaram o fim das lutas para alcançar a for­mação defin­i­tiva de Estado Nacional Monárquico Brasileiro, assim as lutas trava­dos no âmbito nacional tiveram reflexos nas regiões provin­ci­ais, e aqui como dito alhures o domínio por­tuguês era muito forte, no Maran­hão o poder era exer­cido por uma Junta Pro­visória e Admin­is­tra­tiva, cuja presidên­cia coube ao ilustrado bispo de nacional­i­dade por­tuguesa D Joaquim de Nazaré, o qual, tendo sido nomeado dire­ta­mente por D. João VI, tudo fazia para man­ter esta parte do Brasil, fiel à coroa por­tuguesa, Mário Meire­les deixa muito clara a influên­cia da cap­i­tal na for­mação do movi­mento con­trário às pre­tenções do nobre bispo Nazaré, tais jovens afrontavam aber­ta­mente a Junta defend­endo a adesão para não ocor­rer a volta do domínio por­tuguês nos moldes prece­dentes à chegada do monarca met­ro­pol­i­tano, em São Luís o com­bate ocor­ria muito no plano das idéias, o ver­dadeiro con­flito era travado no inte­rior, os excluí­dos a cada dia se revoltavam, e os grandes fazen­deiros já não eram una­n­im­i­dade ´por­tuguesa, as infor­mações eram lentas em razão do sub­de­sen­volvi­mento do meios de comu­ni­cação, os primeiros con­tin­gentes foram envi­a­dos para Cax­ias e Car­naubeira que ficava perto de Par­naíba, já com a luta encam­in­hada, dis­serta Mário Meire­les, in, História da Inde­pendên­cia do Maran­hão, Rio de Janeiro, Arte nova, 1972, fls 61. \» Para Cax­ias, o maior núcleo pop­u­la­cional do inte­rior e que, muito próx­ima á fron­teira, fazia de segunda cap­i­tal da provín­cia, no alto do sertão, foi despachado um grande reforço de Tropa de Linha, sob as ordens do Major José Demétrio de Abreu, que assumira o comando geral do dis­trito e orga­ni­zaria sua defesa, e o qual cumprida pronta­mente a mis­são, e de acordo com o Con­selho Mil­i­tar que já se orga­ni­zara na vila, logo se retirou deixando a respon­s­abil­i­dade de seus encar­gos às mãos do Capitão José Felix Mendes\». Nessa fase os com­bates já tin­ham deix­ado mil­hares de víti­mas prin­ci­pal­mente depois do avanço do \«exército lib­er­ta­dor\», vendo que a guerra estava per­dida a Junta, em cor­re­spondên­cia envi­ada ao gov­erno de Por­tu­gal solic­i­tou reforços, tendo traçado um quadro dramático da situ­ação, e os avanços das tropas leais a Pedro I e ao Par­tido Lib­eral, Vieira da Silva, em sua mem­o­rável História da Inde­pendên­cia da Provín­cia do Maran­hão, Sudema, 199, pag. 73, tran­screve um tre­cho da súplica do bispo Joaquim Nazaré ao monarca por­tuguês, \» No Brasil (…) — as facções que procu­ram procla­mar a sua inde­pendên­cia não pre­ten­dem pug­nar por inter­esses políti­cos, mas pro­mover uma guerra bár­bara e nefanda de rap­ina e mas­sacres con­tra os europeus con­sti­tu­cionais e hon­ra­dos. O sangue destes por­tugue­ses, logo que exis­tiam desar­ma­dos, cor­rerá sobre a terra e o seus bens serão presa da fero­ci­dade dos novos vân­da­los. Tal se há prat­i­cado no Ceará e Piauí, tal se praticara nesta provín­cia, se os habi­tantes que nela exis­tem dig­nos do nome por­tuguês, sucumbirem\». Diante desse quadro, as forças legal­is­tas per­diam cada vez mais espaço ape­sar de tam­bém tri­un­farem como sucedeu na batalha de Jeni­papo ven­cida pelo major José da Cunha Fidié, onde pere­ce­ram mais de duzen­tos com­bat­entes, fora os feri­dos que pere­ce­ram depois ou foram con­duzi­dos à invalide per­ma­nente, na citada obra de Meire­les, nas fls. 71., o grande mestre ensina: \«Foi este com­bate do Jeni­papo, sem dúvida, o maior de quan­tos se travariam nas lutas pela inde­pendên­cia do Maran­hão e Piauí, nele tomaram parte, mais de 4.000 homens e a san­grenta batalha durou mais de qua­tro horas, pois se esten­deu desde às nove horas da manhã até cerca das duas horas da tarde, nas fol­has 86, mais uma vê Meire­les com o bril­han­tismo que somente um pesquisador da sua estirpe pode ter, descreve que alguns ofi­ci­ais de ambos os lados haviam pere­cido , e opor­tu­ni­zou um com­bate direto entre os dois prin­ci­pais ofi­ci­ais que foram Sal­vador de Oliveira e o major Fidié, em suas palavras mág­i­cas, podemos ler:\» ..decidiu Sal­vador de Oliveira, Mar­char do Brejo para vila do Itapeccuru-​Mirim, à beira do rio do mesmo nome e por via da qual Cax­ias igual­mente às suas mar­gens mais acima, se lig­ava com São Luís, na Ilha que lhe tapa a foz. Este era seu segundo plano, o de entrepondo-​se entre a cap­i­tal da provín­cia e sua prin­ci­pal vila do inte­rior, iso­lar esta última e pre­cip­i­tar a capit­u­lação de Fidié\». A estraté­gia de Sal­vador teve êxito, os pop­u­lares em con­junto com o \» exército lib­er­ta­dor\» tri­un­faram sobre as forças leais a Por­tu­gal, sendo procla­mada a inde­pendên­cia em 20 de julho em Itapecuru– Mirim, tendo ali sido eleita uma junta gov­er­na­tiva pro­visória, onDe foi reser­vada uma vaga para o tenente coro­nel Pereira de Bur­gos, sendo os out­ros nomea­dos em São Luís, após a deposição da junta coman­dada pelo bispo Naaré, em 26 de julho do mesmo ano, no Maran­hão chegou o Almi­rante inglês Lord Cochrane que foi con­tratado a peso de ouro pelo imper­ador para vencer em defin­i­tivo os recal­ci­trantes, obrigando-​os a aceitar a situ­ação de inde­pendên­cia que se tornou imutável, a chegada desse ofi­cial ofus­cou a bravura dos nativos e prati­cou pro­fun­das injustiças e em con­se­quên­cia, ultra­jou o sangue dos bravos que deram sua vida pela vitória sobre os que dese­javam man­ter seus priv­ilé­gios colo­ni­ais, e para espan­car defin­i­ti­va­mente as dúvi­das, invoco os con­hec­i­men­tos da minha viz­inha de Monte Castelo,Maria Ester­lina Mello Pereira em sua mono­grafia, \» História da Inde­pendên­cia e Inte­gração do Maran­hão, 1822, 1828, UFF, 1983 \«Podemos ainda con­sid­erar que para esse movi­mento, duas forças con­fluíram: uma decisiva,as rebe­liões locais, aux­il­i­adas por tropas do Piauí e Ceará e outra cir­cun­stan­cial, a pre­sença da esquadra de Thomas Cochrane que apagou dos por­tugue­ses res­i­dentes em S.Luis, qual­quer velei­dade de resistên­cia. A este mil­i­tar Inglês , coube a glo­ria de \«lib­er­ta­dor do maran­hão\» liber­dade essa ard­u­a­mente tra­balha por lid­eres diver­sos, exem­pli­f­i­cando Sal­vador Car­doso de Oliveira, pereira Figueiras e out­ros anôn­i­mos maran­henses, piauienses e Cearenses que aber­ta­mente enfrentaram até com armas rudi­menta­res como chuços, as guarnições por­tugue­sas e se opun­ham á lib­er­tação da men­cionada Provín­cia. Fase a esse jul­ga­mento, a vitória deci­siva sobre os rep­re­sen­tantes do colo­nial­ismo lusi­tano, per­tence de fato a esses brasileiros e não a Lord Cochrane, segundo ates­tam ou chegam a insin­uar, a maio­ria dos his­torió­grafos. assim, em 28÷7÷1823, foi pro­movida a adesão defin­i­tiva. Tenho dito, que os his­to­ri­adores da ativa con­certem e mel­horem este texto que me con­sumiu todo o dia de hoje.