AbdonMarinho - HORA DE DIZER ADEUS...
Bem Vindo a Pagina de Abdon Marinho, Ideias e Opiniões, Terça-feira, 17 de Outubro de 2017



A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.

Rui Barbosa

Escrito por Abdon Marinho

HORA DE DIZER ADEUS...

UMA VISITA educada não espera o anfitrião colocar a "vassoura atrás da porta", bocejar, responder por monossílabos, para saber que é hora de partir.

A presidente Dilma parece esquecer essa regra básica de etiqueta. 

Não reunindo mais as condições mínimas para dirigir o país, dia sim, é no outro também, se ocupa em fazer comícios para o seu público cativo onde repete o bordão: "daqui não saio, daqui ninguém me tira". 

Não se comporta como primeira servidora pública e sim como dona do poder.

Para isso, sem qualquer pudor ou constrangimento – fazem questão de alardear –, loteia os cargos públicos, os espaços de poder com a partidos e políticos, dentre os quais muitos que ao invés de possuírem biografia, dispõem de folha corrida. 

O PMDB cansou da parceria. Beleza, vamos chamar o PP, PR e o PSD para partilhar o poder, ocupar os cargos de ministros, superintendentes, etc.

Pouco importa que as lideranças destes partidos pontifiquem os maiores escândalos do país e além-mar e, estejam, quase todos, respondendo por crimes contra o patrimônio público. 

Ora, um dos argumentos que os defensores da presidente usam é que nada pesaria, pessoalmente,  contra ela – embora chovam ressalvas quanto isso. 

O que dirão agora quando a própria presidente, no sentido literal, entra no vale-tudo. 

O pior é que, tanto ela quanto os seus, acreditam estarem fazendo o certo. Não estão. Protagonizam um espetáculo vergonhoso típico daqueles que veem o poder como um fim em si mesmo. 

Se na campanha disse que faria o "diabo" para ganhar. Como aliás, fez,  agora está fazendo o inferno inteiro para se manter no poder. Ao que parece, perderam totalmente o compostura, a chamada vergonha na cara, o pudor com a coisa pública.

Infelizmente faz isso às custas dos recursos que pertencem a todos os brasileiros, faz isso à custa do emprego, da escola, da saúde, da infraestrutura e, sobretudo, dos sonhos dos menos favorecidos.

Logo mais, a União, a exemplo de todos os estados da federação começará a atrasar o pagamento dos servidores, como já vem fazendo com os programas. 

O país está sem quaisquer perspectivas de futuro. Não há, talvez, nem como exceção para justificar a regra, um indicador positivo, todos, até parece lugar comum, são os piores das últimas décadas, os piores da história e por aí vai. São empresas fechando, pais de família perdendo o emprego, jovens sem chances de entrar no mercado de trabalho.

A presidente com rejeição na casa dos noventa por cento, sem apresentar uma única alternativa que devolva a esperança aos administrados, afronta a população com colocações do tipo: – tenho cara de quem vai renunciar? Ou: – no Brasil estão tentando aplicar um golpe na presidente legitimamente eleita. 

Seus aliados ainda completam dizendo que incompetência não é motivo para impeachment, ignorando os crimes, largamente comprovados e à disposição de quem quiser conferir. 

O golpe, na visão de tais doutos, estaria sendo engendrado pelo Poder Legislativo, pelo Poder Judiciário e pela chamada "mídia golpista", usando suas palavras, seria um golpe parlamentar-judicial-midiático. Não duvidem, li algo neste sentido. Se são capazes de ideias tão desbaratadas, são capazes de tudo. 

Para a loucura ser maior só faltou acrescentar ao tão falado "golpe" parlamentar-judicial-midiático, o povo – uma vez que setenta por cento da população pedem a saída da presidente. 

O golpe, na perfeita acepção dos acontecimentos vividos, seria parlamentar-judicial-midiático-popular. 

Vamos combinar que algo assim é uma excentricidade jamais vista, neste Brasil acostumado a exotismo. Um golpe promovido pelos poderes do Estado, dentro do sistema de pesos e contrapesos, normal em todo mundo, divulgado pela mídia, dentro do seu papel de informar (a imprensa não cria os fatos, apenas os notícia) e com o apoio do povo. 

Ainda que tente, com todas as forças, não consigo encontrar sentido para isso.

A presidente e seus auxiliares deveriam reconhecer que não possuem mais condições de dirigir o país, não há, sequer, quem acredite que ainda possua o terço dos votos necessários (ainda que vendam a nação) para barrar o processo de impeachment. 

Um governante com apoio parlamentar e popular, encontra dificuldades para administrar.  O que dizer de um  que não tem nem uma  coisa nem a outra e que se encontra na situação de investigado por crimes graves? Será que pensam que vencida essa primeira barreira do impeachment os problemas se dissipam?  Vão debelar crise, as incertezas? Se pensam isso, é caso para internação. Ainda que vencessem, restariam outros pedidos; resta a investigação policial/judicial; resta a crise para a qual não têm solução alguma; resta a falta de credibilidade. 

Vejam a que ponto chegamos. Temos uma presidente da República que, tal como age um prefeito de uma minúscula cidade do interior, acha que vale a pena cometer todo tipo de desatino e gastos para manter -se no poder. 

Ao que parece, são incapazes de compreender que cada dia a mais que passam no poder só conseguem fomentar a crise, torná-la mais aguda e insolúvel.

Já passa da hora de reconhecerem a incapacidade de continuarem à frente dos destinos do país e nos poupar de mais desgastes e prejuízos. O Brasil tem perdido muito com isso.

Já passa da hora de, efetivamente, pensarem no país e não nos próprios interesses e deixarem o poder, reconhecerem que não são mais fiadores da união, mas sim, porta-vozes dos conflitos e até da guerra civil. 

O governo da presidente Dilma só possui uma saída. A saída dela, Dilma. 

O Brasil, por sua vez, precisa de uma reforma política que não torne um país inteiro refém do capricho de uma pessoa ou de um pequeno grupo, que aferrados à ideia de mandatos imutáveis, causam tantos prejuízos à nação. 

Temos muito a aprender com a experiência de outros países. 

Noutras nações governos são substituídos e mundo não acaba. 

Durante a crise grega em que o primeiro-ministro disse uma coisa na campanha e fez outra depois de eleito, perdendo sustentação política e popular, destituiu-se os eleitos e convocou-se novas eleições para permitir  ao governante  necessária legitimidade para governar. 

Precisamos de mecanismos que nos permita também fazer isso. Não faz sentido o país passar por situações como a que passa agora. Ainda mais que esta não é a primeira nem será a última vez. Temos que mudar isso.

A situação de hoje é bem pior que as enfrentadas em momentos anteriores. 

A causa disso: nossos governantes pioraram muito de nível, não temos lideranças na sociedade ou no Congresso Nacional e, nem mesmo no Poder Judiciário, temos lideranças capazes de catalisar o sentimento da nação. 

E, para piorar ainda mais o quadro, temos noutra frente um governo sendo conduzido de forma sectária, onde os interesses da minoria são colocados à frente dos interesses nacionais. 

Noutras crises, como a de 1954, Getulio Vargas, sem condições de governar, preferiu sair da vida para entrar na história; em 1963, foi a vez de Jânio Quadros, buscar a renúncia; em seguida foi a vez de João Goulart buscar o exílio. Hoje temos uma governante incapaz de buscar qualquer saída ou de ser ela própria a buscar outro caminho para si. Ao contrário, fica alimentando radicalismos que, certamente, não trarão bons frutos  ao país. 

Seria muito mais fácil se tivermos mecanismos mais eficientes ou uma governante que tivesse um mínimo de bom senso e entendesse que já passa da hora de dizer adeus. Ou, usando uma das palavras de seu mentor: – tchau, querida.

Abdon Marinho é advogado.