AbdonMarinho - CRÔNICA POLICIAL: O LINCHAMENTO DE PIXULECO.
Bem Vindo a Pagina de Abdon Marinho, Ideias e Opiniões, Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017



A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.

Rui Barbosa

Escrito por Abdon Marinho

CRÔNICA POLICIAL: O LINCHAMENTO DE PIXULECO. 

SÃO LUÍS DO MARANHÃO - A capital maranhense registrou mais uma cena que tem se tornado uma triste rotina: a turba enfurecida promoveu mais um linchamento. Desta vez os linchadores não procuraram esconder o rosto agindo em plena luz do dia e, munidos de armas brancas partiram para cima vítima indefesa, ignorando ou fazendo pouco caso dos policiais que tentaram defendê-la. 

No episódio, além da vítima – que sofreu inúmeros ferimentos a golpe de facas e chuchus, tendo perdido uma das mãos – policiais também saíram feridos. 

A vítima de tamanha selvageria: um boneco inflável que atende pela alcunha de PIXULECO. Uma representação do ex-presidente Lula vestido de presidiário acorrentado a uma bola. 

Os autores do fato: militantes políticos e sindicais, com notícia de que autoridades do governo estadual também participaram do linchamento do boneco inflável. 

Tendo sido detido o principal dos linchadores – acredita-se o que teria dado o golpe que pois o indigitado Pixuleco fora de combate –, os demais acotovelaram-se na Delegacia de Policia buscando sua soltura. Enquanto cuidavam de transmitir o feito e seus desdobramentos pelos meios de comunicação, sobretudo, pelas redes sociais, autodenominado-se de “carbonários”. 

Aos que não têm muita familiaridade com os termos “esquerdistas”, carbonário (do latim carbonato, ‘carvoeiro’) é um substantivo masculino que serve para denominar o membros de sociedade secreta e revolucionária que atuou na Itália, França e Espanha no princípio do séc. XIX; por extensão, aplica-se o termo ao membro de qualquer sociedade secreta e revolucionária.

O registro feito, serve, apenas, para realçar o exagero que é denominar de “carbonário" alguém que se ocupa de linchar bonecos infláveis. Talvez se usassem fogo para queimá-lo, o termo poderia fazer sentido, pela literalidade. Parece-me um tanto quanto patético, ou então o espirito revolucionário caiu muito.

Entendo merecer registro a defesa feita por importante advogado com projeção nacional, professor de direito e ex-dirigente da entidade que representa os advogados maranhenses, dos atos praticados pelos ‘nossos' “carbonários”. Compara a exibição do boneco representativo do ex-presidente Lula ao vilipêndio da imagem de Nossa Senhora ou ao preconceito dispensado por alguns sulistas aos nordestinos ou à discriminação feita por alguns pastores evangélicos à umbanda, candomblé ou ainda, à discriminação sofrida pelas “minorias" sexuais abrigadas na sigla LGBT. Justificando os atos dos “carbonários" nos seguintes termos: "Nesse contexto, a reação indignada dos militantes do PT que rasgaram o “pixuleco” pode se equiparar à reação de um católico, indignado contra o vilipêndio à santa, ou dos nordestinos discriminados por uns poucos racistas do sul". 

Confesso não enxergar nenhuma semelhança entre as analogias feitas pelo grande advogado. Nem de longe é possível confundir-se o manto azul da padroeira do Brasil com a camiseta encarnada vestida pelo ex-presidente Lula, capaz de igualar a reação de indignação de um católico contra o vilipendio da Santa  ou a discriminação sofrida por nós nordestinos por uns poucos racista do sul, ao ato de vandalismo perpetrado contra o boneco Pixuleco. 

Noutra quadra, não é de meu conhecimento nenhum envolvimento de Nossa Senhora em atos de corrupção que lesaram a pátria em bilhões de reais, e que a mesma tenha recebido propina ou favores de empreiteiras amigas.

OPINIÃO DA REDAÇÃO: Os atos praticados por integrantes do Partido dos Trabalhadores - PT, por integrantes da Central Única dos Trabalhadores - CUT, por integrantes dos Partido Comunista do Brasil - PC do B e por integrantes do próprio governo, como amplamente divulgado, são incompatíveis com o regime democrático que pretendemos construir e com os valores que devem existir numa sociedade civilizada. 

Quando um cidadão resolve abdicar de sua vida privada para ingressar na vida pública é sabedor que está sujeito às criticas sejam elas justas, sejam elas injustas. 

Numa democracia não é aceitável que integrantes de partidos políticos - supostamente comprometidos com seus valores - e muito menos ainda, que membros de governos, promovam atos de violência ao invés de buscar o resguardo dos seus direitos nos poderes do Estado. 

Ora, se o partido do ex-presidente e seus satélites se sentem ofendidos com a figura de um boneco caracterizado de presidiário que se socorram do Poder do Judiciário para proibi-lo. 

A lei criminaliza o vilipêndio dos símbolos religiosos, o racismo, a discriminação de qualquer natureza, inclusive a de orientação sexual ou de gênero. 

Poderiam enquadrar a caracterização dentro delas ou outra como uso indevido da imagem, etc.

Não é admissível que se armem com todo tipo de armas para impedir uma manifestação e confrontar pessoas pacíficas, cidadãos maranhenses - a maioria profissionais liberais com relevantes serviços prestados à sociedade. 

Não foram ao judiciário por temerem a Justiça? Por saberem que a sua postulação não encontraria respaldo? Não confiam nos instrumentos do Estado? Se é assim, como pretendem dirigir esse mesmo Estado?

A situação ganha contornos mais dramáticos quando se afirma que integrantes do próprio governo estavam na linha de frente ou na retaguarda dos atos antidemocráticos. Onde está a razão de um membro do governo que vai para rua, armado de faca, para impedir uma manifestação? E se os manifestantes tivesse reagido à altura, também com facas ou armas de fogo? Estariam no seu direito, não? E se a polícia tivesse usado a força para garantir a liberdade de manifestação?

Vejam, pelos nomes divulgados e fotos, os "revolucionários" linchadores de bonecos infláveis, são todas pessoas conhecidas, algumas já tendo exercidos ou exercendo mandatos eletivos, outros ocupado cargos de destaque no serviço público, por eleição ou delegação, não comporta que ajam como uma malta de arruaceiros. Mais, são pessoas que tanto em âmbito federal quanto estadual estão no poder. Teoricamente, ao menos, deveriam ser os primeiros a dar o exemplo. 

Como ficaria a imagem dos governos a que servem, caso, uma manifestação pacífica - uma simples exibição de um boneco -, tivesse descambado para uma violência generalizada com mortos e feridos? Certamente que não a Dilma do PT. Certamente que não a Flávio Dino do PC do B.

Será que estão empenhados em desestabilizar os governos a que servem?

Esse tipo de tolice me lembra um fato, verdadeiro, mas com ares de anedota política, ocorrido, ao que parece, no governo José Reinaldo. Tendo o governador rompido com seu grupo de origem unira-se aos antigos adversários. 

Certa vez reunido em pleno gabinete principal do palácio dos Leões com sua nova base de sustenção um dos aliados pede a palavra e começa: - Porque nós, da oposição…”. Um dos presentes, mais experiente, interrompeu para fazer a correção: - Alto lá, companheiro, estamos dentro do Palácio dos Leões, no gabinete do governador. Se há oposição, ela está do lado de fora”.

Talvez seja a hora do governador reunir sua base de sustenção e, principalmente, os subordinados, para lhes dizer que são governo. Poderiam aproveitar para dar-lhes um puxão de orelha pela "meninice" das ações.

Abdon Marinho é advogado.