AbdonMarinho - O MARANHÃO É REFÉM ETERNO DA POLITICALHA.
Bem Vindo a Pagina de Abdon Marinho, Ideias e Opiniões, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017



A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.

Rui Barbosa

Escrito por Abdon Marinho

O MARANHÃO É REFÉM ETERNO DA POLITICALHA.
Assisto aos debates travados nos meios de comunicação e na Assembleia Legislativa sobre os diversos temas do momento em nosso estado: saúde, educação, violência, segurança pública.
De um lado aguerridos oposicionistas exercendo seu direito e seu dever de crítica, do outro lado sendo rebatidos por por governistas, por vezes tentando defender o que o governo faz, por vezes, emudecendo quando não têm respostas a oferecer.
Os meios de comunicação, que nada mais são que as vozes dos seus donos, rezam a cartilha dos seus próprios interesses.
Se fizermos um breve retrospecto, não precisamos sequer chegar a um ano, vemos que vivenciamos os mesmos debates, apenas com o sinal trocado. Os que agora emudecem são os mesmos que vociferavam contra a saúde, a educação, a violência, a segurança pública, já os que agora acharam a língua, outrora perdidas nas bocas que criavam teias de aranha, são loquazes conhecedores dos problemas do estado, especialistas em segurança, em saúde, doutores em educação e violência.
Analisando tantas contradições nas falas em tão pouco tempo, verificamos que para os políticos do nosso Maranhão (talvez seja assim nos demais estados), pouco importam os problemas efetivos da população, estão mais interessados em fazer politicalha, em tirar o seu naco de poder e de dinheiro dos cargos que ocupam (com as exceções presentes em todas as regras).
Alguém diz que a violência está insuportável, pede intervenção federal, falam mal do secretário. Em contraposição alguém do governo responde com números, estatísticas, dizendo foi que morreram dois ou três a menos que no mesmo período da gestão anterior. É possível que ambos estejam certos.
A violência, por exemplo, não tem dado trégua. O governo até que começou bem no assunto, inclusive enfrentando críticas por suposto excesso de firmeza, parece que perdeu o "tesão" para sufocar os criminosos, foi o que bastou para que a bandidagem fizessem a festa.
Os assaltos a residências, a ônibus, se sucedem, roubos a bancos são tantos e tão frequentes que mais parece os locutores da Copa do mundo de 2014 narrando a goleada da Alemanha contra o Brasil. O número da matança permanece, praticamente, inalterado, Nas alturas, o que faz da região metropolitana da capital um dos lugares mais inseguros, do mundo, para se viver.
Mas isso já estava assim antes do atual governo. A estrutura da segurança é mesma, os recursos são praticamente os mesmos, os bandidos – exceto pelos que começaram agora no crime – são os mesmos e os policiais também são os mesmos – poucos, desmotivados e torcendo para que seu turno acabe sem ocorrências, o que, a cada dia que passa, fica mais difícil.
A leitura que faço do quadro, é que quem perdeu controle da situação não foi o governo, quem perdeu o controle – e os bandidos podem gritar a plenos pulmões: Perdeu! Perdeu! como fazem quando assaltam ou matam um cidadão –, foi o Estado do Maranhão, suas instituições, que sempre boas em discussões óbvias, são lentas e incapazes de ações efetivas e concretas e combate à violência.
Quantas reuniões não foram feitas pela governadora anterior com as forças de seguranças e membros dos poderes legislativo, judiciário e o ministério público? Inúmeras. O resultado prático é quase nenhum. A polícia continua sem solução para a grande maioria dos crimes, o MPE continua do mesmo jeito de antes e o judiciário idem.
Em resumo a tão propalada união das autoridades em torno de um objetivo comum não passou de discursos vazios. Até parece que apenas encenaram uma grande ação para que rendesse umas fotos e algumas manchetes de jornais.
O resultado é o que estamos vendo. Os bandidos continuaram a dar as cartas, a fazerem do crime uma atividade que compensa.
Os problemas de outrora, muitos até agravados, persistem ainda hoje. Não adianta virem dizer que a saúde ou à educação melhoram. Ainda não vimos esses resultados. Até as mazelas e denúncias de corrupção são as mesmas.
Se os opositores conhecem todos problemas agora, não sabia disso tudo antes? Por que não apontaram as soluções ao governo anterior? O mesmo se diga dos atuais governistas. Antes não sabiam todos os nossos males? Por que não implementam as soluções agora que estão no poder?
Embora ainda seja cedo para cobrar soluções de todos os problemas do estado do atual governo, já é tarde para que este continue com cara fim de governo e não de começo.
O Maranhão sempre foi, e continua sendo, refém da velha politicalha. Aquela para qual o sofrimento e as angústias do povo pouco interessa. O que importa, de fato, é o poder pelo poder. É por isso que os cegos e surdos de outrora, hoje possuem olhos de águia e ouvidos de tuberculosos, como diziam lá no meu sertão. Assim como se ocorre, em sentido inverso, em relação aos atuais governistas.
Abdon Marinho é advogado.