AbdonMarinho - EDUCAÇÃO NÃO É QUINHÃO.
Bem Vindo a Pagina de Abdon Marinho, Ideias e Opiniões, Terça-feira, 17 de Outubro de 2017



A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.

Rui Barbosa

EDUCAÇÃO NÃO É QUINHÃO.

Sobre a minha mesa de trabalho, no escritório, mantenho um mapa do município onde nasci. Vez por outra além indaga a razão de sua presença se não trabalho lá. Embora não seja uma verdade absoluta, costumo dizer que o mantenho para não esquecer de onde vim, um povoado com seis casas, no limite entre Governador Archer e Gonçalves Dias, tão no limite que meu registro diz uma coisa e o mapa diz outra.

Gosto de ficar olhando para ele, ver minhas origens e refletir sobre elas. Nestes vagares, uma única certeza, nada que sou aconteceria sem a educação. Foi ela que permitiu que um órfão filho de agricultores, tivesse sonhado e buscado um futuro melhor apesar de suas limitações. 

Por diversas vezes, já escrevi, neste mesmo espaço, sobre os desafios da educação no Estado do Maranhão, onde ela padece de tudo, desde a falta de compromisso de muitos gestores, a falta de motivação de professores, o desinteresse dos estudantes, a falta de estrutura, e da corrupção em todas suas etapas. Nos últimos dias o mundo tem tomado conhecimento da realidade, que nós, que conhecemos o Estado, já sabíamos desde muito tempo: falta de merenda escolar, cadastros fraudados, escolas funcionando sem água, sem banheiro, em barracões e até em taperas; crianças tendo as aulas reduzidas por falta de alimentos ou colhendo nos percursos, caju, maga ou outras frutas para se alimentarem nos intervalos. Já ouvi mais uma pessoas informar que que existem escolas que ainda não abriram as portas de 2013 para cá, tendo os estudantes que se matricularem em escolas de municípios vizinhos para não perderem o ano-letivo. Os recursos que minguaram nos últimos anos, graças aos equívocos cometidos pelo Ministério da Educação - MEC, quase nada representam quando levamos em conta os desvios para empresas fantasmas ou para as contas da agiotagem que continua mais viva e presente em todos os quadrantes do Maranhão. (Sobre isso escreveremos logo mais).

Assim como acho, absolutamente falso, se falar em desenvolvimento por conta conta das políticas de transferências de renda, acho, do mesmo modo, falso, se dizer que tivemos melhorias na educação nos últimos anos. Sempre me pergunto, como é que se fala em melhorias se cada vez mais descobrimos que as pessoas sabem, hoje, menos sobre quaisquer ramos do conhecimento que na década anterior e menos ainda, que há vinte, trinta anos? Embora algum numero aqui e ali, digam o contrário, o meu sentimento é que na questão educacional, vem acontecendo uma regressão, cada vez mais acentuada, a cada ano que passa.

Neste cenário, as pessoas que, como eu, têm preocupação com o assunto, aguardam ansiosas que o governador-eleito, informe o nome que escolheu para a delicada e importante missão de retirar o Maranhão da “rabeira\" dos indicadores sociais que tratam do tema pois urge que se faça algo consistente. 

Os noticiosos locais têm colocado a pasta da educação como na cota de partidos políticos. 

Entendo tratar-se de um grave equivoco colocar tão grave assunto nas cota de A, B ou  C, e não na cota de responsabilidade pessoal do governador. Não que se duvide da competência dos quadros dos partidos políticos, seja ele, P, D ou T. É que essa, é uma responsabilidade, a meu ver, indelegável,  do governador, da mesma decorre o futuro político, econômico e social do Estado do Maranhão e sobre a qual, ele, o governador, responderá diante desta e das futuras gerações.   

Não se trata, de modo algum, de se desprezar o que já foi feito no setor, mas entendo que a educação maranhense, precisa ter suas bases redefinidas. Daí a importância que deve recair sobre o futuro secretário. 

Precisa-se de alguém com respeitabilidade para chamar prefeitos e secretários municipais para um novo diálogo, novas parcerias e uma ação conjunta que eleve a qualidade do ensino. Não adianta ter um secretário unicamente para administrar a a rede de ensino estadual, isso também, mas, sobretudo, alguém que entenda não fazer qualquer sentido termos uma rede de ensino apta e estruturada para receber os estudantes, se estes não foram bem preparados na base. 

A secretaria estadual precisa acompanhar o aprendizado de todos os estudantes, estejam eles nas redes municipais, na rede estadual ou federal. Só com  esse acompanhamento, essa política conjunta, com a correção de equívocos, se conseguirá sair da situação vexatória que nos encontramos. 

Nos últimos tempos, a secretaria estadual, tem se limitado a administrar sua rede, a receber os estudantes egressos das redes municipais, sem ter feito qualquer intervenção no aprendizado na base –  se faz alguma, é de tal forma, tímida ou pontual que não surte qualquer efeito. O que temos visto é cada município, cada escola, ter seu próprio calendário, conteúdo, forma de cobrar resultados, sem qualquer dimensionamento comum, nem mesmo através do Conselho Estadual de Educação. É o caminho do desastre. 

Nos acostumamos a ver que até mesmo a rede estadual, sobretudo, nos lugares mais longínquos, é deixada ao encargo dos gestores municipais que indicam diretores, fazem o transporte escolar, na maioria das vezes, sem convênios formalizados, para não deixarem os estudantes sem aula. 

A educação é o desafio de uma política de Estado. Não pode ser tratada como cota partidária ou entregue a qualquer, ficando longe das visitas do governador. Um lugar permeável a formação de nichos de corrupção na aquisição de alimentos, material de consumo, segurança, limpeza,  etc., ou voltada para que partido e/ou pessoas estejam mais interessadas em fazer negócios a cuidar do futuro de milhares de crianças. 

Não entender isso, é começar a trilhar o caminho do fracasso e comprometer o futuro das gerações vindouras.

Abdon Marinho é advogado.